Intimidade para dois

Intimidade, palavra engraçada…

Posso te contar que essa palavra neste momento não faz parte do meu mundo.

Não estou a falar de alguém me ver nua ou me tocar mais intimamente, estou a falar de alguém que me olha nos olhos e sabe o meu estado de espírito, ou por uma mensagem saber que não estou bem. Intimidade era o que tínhamos, algo que eu valorizei tanto, posso te dizer que era muito mais que intimidade física, pelo tom da tua voz já sabia como estavas, do que precisavas, eras tu ligar-me a disfarçar que não estavas a chorar e apenas dizeres “preciso de ti bebe, vem cá rápido” e eu ia como se a minha vida dependesse disso. Intimidade era ficarmos a falar até às tantas de tudo, ou simplesmente ligar o skype e ficar até demanhã, ou até ficar ligado enquanto um ou outro dormia.

Intimidade era a maneira como nos tocávamos fora de casa, como nos cuidávamos mesmo sem o outro saber. Era quando apanhavas aquela lágrima que eu nem tinha sentido. Intimidade foi tu me veres a alma nua e saberes tudo sobre mim, o que tenho e o que fiz, e mesmo assim me olhares com aquele brilho nos olhos como se fosse a pessoa mais linda e especial à face da terra, como me lembro tão bem desse olhar, nunca o pensei merecer. Era a maneira que pegavas em mim quando me vias a tremer e me sentava no teu colo e me apertavas com força, dizendo “eu estou aqui, sempre estarei aqui”.

Intimidade era a maneira como via a tua preocupação quando estava doente, era a maneira que me mandavas uma mensagem de voz a dizer “ondi tas, ondi tas, tas ondi bebe?” tão fofo e tão teu que era meu.

Intimidade era como adormecíamos com os lábios pegados porque nos recusamos a separar enquanto acordados, era a maneira como ficávamos deitados em silêncio, pezinho com pezinho. Era a maneira como me agarravas e dançamos no meio do quarto.

Intimidade era como me davas a mão no meio da rua, era a maneira que olhavas para mim quando íamos sair e eu estava a dançar longe de  ti, como o teu olhar transbordava tudo o que sentíamos.

Intimidade era como fazíamos amor, um acto de puro sentimento, e que nos sentíamos mais ligados ainda, e no fim ficar abraçados sem mexer.

Intimidade era como partilhávamos uma alma, como tocávamos dentro um do outro. Intimidade era não nos sentimos completos longe. Era como partilhávamos tudo sobre tudo e sem medos. Intimidade era a necessidade que sentimos de contar tudo o que se passava quando estávamos longe do outro.

Intimidade era como nos abraçamos de almas nuas, sem barreiras, sem preconceito, nada mais do que duas pessoas que dividem uma alma. Era quando por ser 3 ou 4 da manhã não nos impedia de ligar um ao outro só porque sim.

Intimidade nada tem haver com dois corpos, tem sim haver com duas almas que se reconhecem, que se tocam e se amam independentemente do resto do mundo não possuir alma.

PORVitória M
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