Infâncias perdidas…

Enquanto ando perdida no meio dos meus pensamentos, vejo ao meu redor uma geração destruída.

Visualizo a minha infância e esta, e fico triste. Triste por eles. Tão novos e já são devorados pelas tecnologias.

No meu tempo (e o pior, é que não é assim à muito tempo) nos intervalos da escola, queria brincar à macaca, ás corridas, apanhar os meus colegas, brincar as escondidas… não pensava em namorar, só via as horas pelo relógio na parede ansiosa que tocasse para ir brincar aos desenhos animados que via com os meus colegas. Agora olho a meu redor, e as crianças já não olham para o relógio na sala de aula pois têm o telemóvel à mão, não vão a correr para poderem brincar com os colegas, ficam só de cabeça baixa a andar devagar olhando para o ecrã luminoso à sua frente a mexer incontornavelmente nas teclas. Chegam a casa, e não estão horas à espera do desenho animado favorito, só estão sentados de novo de cabeça baixa de olhos postos no telemóvel.

E o mais triste, o mais ridículo e incompreensível é a falta de educação dos adolescentes. Pergunto-me se a educação mudou, não ouço um “Obrigado” por deixar-mos passar as pessoas, ou ceder-mos o lugar num banco ao nosso lado, não ouço um “de nada” em modo de gratidão, não ouço um pedido de “desculpas”, “com licença”… coisas tão mínimas que os adolescentes não conseguem prenunciar.

E fico pensativa com os meus botões, de como será o mundo daqui a alguns anos, como será a educação, a escola, a infância. Mas sei que se isto continuar assim, a degradar a cada segundo que passa, o mundo irá acabar não tarda, pois os adolescentes serão uns delinquentes, e nem as pessoas idosas serão bem educadas. E se o Ser Humano for assim daqui em diante, nada será mais horrível ver infâncias, adolescências e vidas perdidas.