Infância, a minha.

Não fazia ideia do quanto era bom ser criança, até crescer. Não fazia ideia do quanto era bom chegar a casa e saber que tudo iria estar igual. As mesmas pessoas que cuidavam de mim; a mesma comida boa; o mesmo cheiro familiar e reconfortante; os mesmos brinquedos; os momentos em família. Porque tudo muda? Porque os anos nos mudam? As tradições vão-se perdendo, os momentos vão-se perdendo.

Lembro-me da família toda reunida em todos os natais. Lembro-me de abrir muitos presentes (só à meia noite) e querer brincar com todos ao mesmo tempo. Fico contente/triste ao ver as fotos de passeios, convívios festivos (ou não), momentos divertidos, festas de aniversário. O perder da magia ao longo do tempo é assustador. Eu ainda gosto desses momentos e dói-me por dentro quando são vividos tão rapidamente, sem se saborear cada minuto. A pressa de ir embora tornou-se maior. A espera pela meia noite já não tem o mesmo sabor. Não foi só na minha família que as coisas mudaram. Creio que é geral. As mudanças que ocorrem a vários níveis (finanças, consequentemente stress, discussões diversas, etc) tudo teve o seu papel neste desgaste brutalmente visível nos rostos da maioria das pessoas.

Tenho pena pelo facto dos meus filhos não poderem estar rodeados de tanta gente nas épocas festivas como eu, um dia, estive. Que não vejam como tudo era diferente. Também é verdade que irão crescer sem sentirem propriamente necessidade desses momentos (pelo menos não como eu), visto nunca os terem vivido. Tenho até saudades das cassetes de vídeo que os nossos pais filmavam connosco; da simplicidade de tudo; do valor que se dava a estarmos juntos; da pouca tecnologia que ainda mais nos aproximava; de sentar-me no sofá e assistir aos, ainda simples, filmes da Disney. Eu amava a Pocahontas! Surge um sorriso no meu rosto à medida que escrevo estas palavras.

Minha “rica” infância.


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