Identidade do amor

Deitado sobre a cama, onde os pensamentos me aconchegam ou atormentam, continuo à procura das palavras certas para descrever o nosso amor.

É fácil escrever sobre o amor por poder ser tanta coisa. O que seria o amor se fosse algo concreto? Um objecto talvez, que se tocaria com as mãos.

O nosso amor não; o nosso amor tanto me preenche como me foge; tanto me rasga com um beijo como me asfixia, é uma espécie de bicho indomável que só faz o que lhe apetece. Tudo o resto são conveniências.

Que coisa esta tão estúpida, insistir em escrever sobre o amor. Quantas pessoas sentem o amor sem conjugarem, uma única vez, um verbo mais estúpido ainda? «Eu amo-te» – que estupidez – quantas pessoas o dizem e quantas pessoas o sentem, e de que maneira, e com que intensidade, com que intenção, e até quando? As palavras nunca chegam – continuo a insistir nisto – para nos explicarmos, mas é nelas que nos refugiamos; é com as palavras que salvaguardamos a saudade.

Qual será a identidade do amor? De onde vem? Onde mora? Para onde vai?
Talvez uma coisa seja certa: o amor – não aquele que morre pelos pequenos holocaustos que criamos -, o verdadeiro amor, aquele cujo o significado seja indeterminável e incansável, saberá sempre a pouco.

Só quem já morreu por amor, sabe o que é viver de amor.


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