E ias deixando que te levassem a onde os comboios param.

(…) Guardei o último pensamento teu.
Dificilmente aquele comboio conhecerá alguém tão paciente e duradouro como tu . Alguém que guardava tudo o que havia a pensar para o exato momento em que contrariava o tempo e voava sobre ele, era algo que tu com um sorriso na cara, chamavas de último pensamento.

Era sem dúvida o último, o último de todos os dias .
Como adolescente que eras, largavas os balões à entrada e sorrias ao partir. -Hoje vou atravessar o mundo.

E ias deixando que te levassem a onde os comboios param, para lá das nuvens que achavas serem as últimas e onde tudo o resto deixa de interessar quando o teu último comboio pára.
Nós paramos também.

Cada um decidiu encarar formas diferentes nas nuvens que íamos seguindo pelo caminho.
Sem dúvida que nenhum amor resiste à forma que as nuvens vão tomando. Metaforicamente isto é tão bom.

Que nunca parem os comboios que guardam em si os últimos pensamentos, muito menos aqueles que assistem a desistências.
Com o teu último bilhete de comboio – e um pouco de felicidade -, Rafael.

PORRafael França
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