Hoje vi-o!

Rezei e pedi a Deus para o ver, novamente. Tinha medo de esquecer o tom de voz tão dele, os traços do rosto, o brilho do olhar, o corte de cabelo, a cor dos olhos castanho claro, o formato dos lábios, o branco dos dentes e a iluminação do sorriso.

Tinha medo de não saber recordá-lo. Medo. Medo de o perder de vez e por completo.

Que a minha cabeça o apaga-se no escuro profundo das minhas memórias. Não imaginava o que seria não poder pedir desculpa pela última briga que tivemos, não dizer que afinal este cubo de gelo também derrete e tem sentimentos, fortes o suficiente por ele. Mais uma vez pedi e rezei a Deus.

Não sei que caminhos caminha sem mim, que desafios aceita e enfrenta, que aventuras vive. Ou se, no fim de contas, não faz nada. Se a alma morreu junto com o corpo.

Estivemos os dois de luto, dia após dia. Não sei se continuamos ou se ultrapassámos. Ou se, até já virou rotina a ausência e a morte. Mas hoje! Hoje vi-o. E nada nele mudou. O tom de voz, os traços do rosto, o brilho do olhar, o corte de cabelo, a cor dos olhos castanho claro, o formato dos lábios, o branco dos dentes e a iluminação do sorriso. Tudo nele, era ele! Tudo em mim, era outra pessoa. Cruzámo-nos, como em tempos, lado a lado. E mais uma vez pedi a Deus e rezei.

Por culpa dele, acordei atrasada para o trabalho. 09:00h e só sei agradecer. Obrigada. Obrigada por me deixar encontra-lo, em sonhos.

POR-tr
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