Hoje Sonhei Contigo

 

Hoje sonhei contigo. Estavas tão feliz. Há quanto tempo não nos encontrávamos assim sem preocupações nem tempo, sem corridas contra o tempo? Estavas tão feliz. E a tua felicidade encheu-me de esperança. Falaste-me das aventuras por que passaste nestes últimos anos, das experiências que a ti te fizeram crescer, das mudanças que a tua vida sofreu, das cores que ela ganhou. A tua boca irradiava alegria e os teus olhos sorriam, e acompanhavam o teu discurso fluído, ora energético, ora pausado, mas sempre cheio de vida, cheio de cor. Estavas tão feliz! Falavas com convicção, com entusiasmo, com ansia de contar mais e mostrar-me ainda mais o teu contentamento, e eu, ouvia-te e respondia sorrindo, e pensava como era grande a falta que me fazias. Invejei-te por diversas vezes, quando a certa altura do teu discurso me falavas dos lugares novos que conheceste, das pessoas com quem partilhaste aqueles anos da tua via, pessoas essas no qual, infelizmente, eu não estava inserida, das experiências, das zangas, das peripécias que te aconteceram, não fosses tu a criatura mais desastrada que eu já tivera conhecido. E falavas com emoção, sempre. Falaste-me da vida que levaste, vida essa delineada pelo mesmo destino que me fez separar de ti, na qual eu não participei, e por ironia ou não do mesmo destino, me pareceu ser, até ao momento, os melhores anos da tua vida. Invejei esse teu espírito destemido, que até então não imaginara ser tão forte, e esse espírito de quem não tem medo de sonhar, que também eu não esperava ser tão grande em ti. E esses teus sonhos eram pequenas conquistas diárias, pequenos gestos e pequenos momentos e eram o sorriso das pessoas com quem te envolveste, a quem dedicaste o teu tempo e com isso, parte da tua vida. Essas conquistas eram o obrigado que elas te mostravam com os seus sorrisos. E tu sorrias também ao falar dessas pessoas que ajudaste durante todo este tempo em que não te vi, e das amizades que fizeste com elas. Estavas tão feliz! E eu respondia-te a ti sorrindo, numa tentativa desesperada de que tu reconhecesses em mim também o meu obrigado, por aquilo que me trouxeste e ensinaste. Pela esperança que me estavas a dar. E eu queria tanto dizer-te, falar-te, falar de tanta coisa e de tanta gente, e de tanta vida que passou por mim também neste tempo da tua ausência. Mas quando estou contigo não consigo encontrar as palavras certas, e o discurso certo e fluido tal como o teu, e estruturado de princípio, meio e fim. Eu não consigo expressar por palavras o que na minha cabeça corria de forma desenfreada, os meus pensamentos eram tantos e tão

rápidos, e tão rapidamente vinham como se esfumavam no interior de mim, que eu própria não consigo acompanha-los e transcreve-los para a minha fala. Mas isso, isso não importa. Quando estou contigo nada disso importa…

Laura Ferraz

 

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