Hoje não consigo dormir…

Hoje ? Hoje não consigo dormir, não consigo pregar olho, luto contra o sono a procura de sonhos, luto contra estas memórias, memórias estas que continuam e estão cada vez mais vivas, luto também contra sorrisos, momentos, abraços, olhares mas porquê? Porquê que as memórias persistem dessa maneira? Já nem fazem sentido, o único sentido que elas têm estão no passado e é lá que deveriam ficar, mas insistem em voltar, em aparecer quando a única essência deveria ser esquecer.

A verdade é que o mundo é um baloiço que nunca pára, e a nossa alma e estado de espírito assemelham se a esse mundo.

Será bom, será mau ? Será culpa tua ou culpa minha?

Gostaria um dia poder tirar essas dúvidas, ou talvez um dia quem sabe mas possas tu tirar. Estes pensamentos, a saudade que sinto e me invade a cada dia que passa faz com que a minha alma não sossegue, com que o meu coração tente lutar contra a solidão, contra esta vontade de te voltar a ter um dia.

Mas sabes ? Ele sabe que isso não vai acontecer, nem ele vai permitir. Como desde pequenos nos educam e  incutem valores que nos constroem e nos fazem crescer ? O coração também se domina, educa se a ele próprio, com passagens de vida, com álbuns gravados, com passos cruzados.

É comum ouvirmos para agir com o coração, e aí surgem os ensinamentos dele , as feridas que pensávamos terem saradas por vezes voltam aparecer,as feridas e tombos recentes afinal já não passam de cicatrizes e vamos vivendo, e vamos pensando em tudo. E dói tanto pensar por vezes.

Por isso o  maior enriquecimento e natural exercício do nosso espírito a meu ver é esquecer, ou pelo menos tentar. Mas como ? Aí ? Aí Os pensamentos que habitam na memória tornam se um ciclo vicioso, uma bola de neve impossíveis de dominar.

E estes pensamentos de que tanto falo não me contrariam, apenas despertam a minha atenção e dou por mim a viajar neles, a recordar, relembrar, por vezes a querer fugir mas acabo sempre por encontrá-los. E enquanto eles marcarem presença, enquanto continuarem a querer ser inquilinos das nossas memórias, serão então o resultado de que apesar de tudo valeram a pena,  de que ainda existe uma pequena esperança. E essa? Essa é a ultima a morrer. Vou voltar para arena conquistar os sonhos, que esses sim pertencem-nos.

PORDébora Valadar
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