Hoje escrevo para ti!

Hoje escrevo para ti e já deves estar a perguntar-te “porquê hoje?”. Eu explico-te. Só hoje me apercebi que tomaste uma decisão errada, tão errada que tu ainda nem o sabes. Na tua mente estás certo, firme, confiante que foi talvez a melhor escolha da tua vida mas o que não sabes é que me perdeste pelo trajeto e que, só por isso, já torna a pior decisão da tua vida.

Estás confuso? Eu explico-te ainda melhor. Dizem que há males que vêm por bem, e não digo que não seja o nosso caso, digo-te sim que demore o tempo que quiser vais sentir que caminhaste pelo caminho errado e vai ser nessa altura que irei estar aqui, não para te guiar, mas para te dizer que há caminhos sem retorno, alguns até com abismos, e tu deixaste-me algures por esses lados sem sequer te aperceberes inteiramente disso. Eu também só me apercebi hoje, quando me dei conta que o amor que sinto por ti está pobre.

Despiste-me a alma, deste-me mil e um beijos a tarde toda para no final da noite te aperceberes que a tua ex-namorada, que não quero ser maldosa mas nunca te deu valor nenhum, valia mais que a nossa relação. Perdeste-me quando decidiste colocá-la acima de todos os “amo-te” que me dizias serem sentidos.

Deixaste-me pela incerteza, pela insegurança, por achares nessa tua cabeça pequenina que ela iria compensar toda a dedicação que eu dei por ti, todo o carinho com que te tratei, todas as noites mal dormidas só por saber que estavas mal e eu não estava por perto. Hoje escrevo para ti. Escrevo para ti para te relembrar que há atitudes que não se justificam, faças o que fizeres. Escrevo para te dizer que te quero mas que não posso voltar. Sim, porque eventualmente quando perceberes que te faço falta, que o meu afeto te deixava mais tranquilo e que o meu amor te reconfortava eu já estarei longe. Longe para te dizer que há atos que não se toleram por muito tolerante que eu seja, e por muito que te ame.

Disseste-me quando te despediste que estavas confuso, que precisavas de entender a mistura de sentimentos, ora, por palavras miúdas, disseste-me que querias tempo para decidir qual de nós querias: eu ou ela. Fiquei em stand-by como quem coloca em pausa um filme quando está farto. O que tu não sabes é que geralmente quem toma estas atitudes acaba sempre por voltar a acabar de ver o filme, e pior, até gostam e voltam a ver novamente. Não me deste hipótese, nem a mim, nem a nós, nem ao pouco que havia.

Vês? Eu tenho noção que o que tínhamos era pouco, mas sempre vivi de nada’s a vida toda e contentei-me com o que me davas. Hoje sei que não é assim. Hoje valorizo-me, sou Mulher com M gigante do tamanho do mundo. Valorizo tudo o que sou sem ti porque quando estava contigo nem olhava para mim mesma. Sempre te coloquei em primeiro lugar. Tantas vezes que abdiquei de mim, do meu bem-estar, para tolerar mais uma das tuas atitudes ridículas. Aquelas atitudes que até os teus amigos falam que são incompreensíveis, sabes?

Hoje escrevo para ti. Para te dizer que agora sou só eu, vivo por mim e pelos meus instintos. Coloco-me em primeiro lugar e escolho o caminho que mais me afasta de ti.

Eventualmente teria que começar a fazê-lo, ou achas que iria esperar por ti para sempre?

Achas que não me iria aperceber da estupidez que cometeste e que iria ficar aqui eternamente? Afasto-me de ti porque, sem saberes, a escolheste a ela. E eu demorei a entender isso. Mas pensa um bocadinho… assim que ponderaste que ela valia mais que eu, perdeste-me para sempre. No dia que decidiste que precisavas de tempo para “tomar a tua decisão” já a tinhas tomado. Escolheste-a desde o início e eu só vejo isso agora.

Hoje escrevo para ti como quem diz adeus. Como quem não volta, como quem opta por um caminho sem retorno. Digo-te adeus assim porque não há outra maneira. E porque, honestamente, falar contigo já não me interessa. Aliás, nem me interessa que saibas isto que escrevo ou não. Conheço-te bem o suficiente para saber que irás chegar a esta conclusão sozinho. Escrevo como quem diz adeus, e como quem não volta. Amo-te, mas não volto. Amo-me demais para o conseguir fazer.

PORLetícia P. Fernandes
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