Histórias de Amor…

Ela tinha vinte e dois anos quando pronunciou o primeiro ‘amo-te’. E isto ainda a medo… Com uma voz tremelicada de tantos nervos que sentia naquele momento. Mas ela sabia que era àquela pessoa a quem o queria dizer. Foi a primeira vez que sentiu aquilo. Nem ela sabia explicar o que era. Sempre viu nas novelas e nos filmes como eles reagiam a este sentimento e sentiu que na vida real nada era como nos filmes.

E como ele se metia com ela por ser tão fantasiada pelos seus livros de romance…, mas a verdade é que ela preferia passar a noite de sexta-feira em casa a ler um bom livro do que sair. Mesmo quando sabia que ele ia sair com várias amigas e amigos. Desconhecia ela o quanto ele preferia passar aquelas noites com ela. Mas se ela soubesse a quantidade de vezes que ele observava a janela do quarto dela hesitando entre o arriscar e ir ter com ela ou afastar-se por julgar que por mais que ela quisesse não largaria a vida fantasiada dela por um rapaz que não é tão apaixonado pelos sabores da vida quanto ela.

A realidade é que ela não sentiu borboletas nenhumas no estômago. Não sabia sequer explicar o que é que sentira precisamente… Foi um misto de sentimentos inexplicáveis, uma vontade incontrolável de abraçá-lo e pedir-lhe que nunca se afastasse dela e também uma vontade incontrolável de lhe bater por fazê-la sentir-se assim!

A verdade é que ela não estava diante de uma escadaria enorme para o início de um baile formal e muito menos o disse numa saída de aeroporto por saber que ia sentir a falta dele ou porque já o estava a sentir mesmo que ele ainda não tivesse sequer levantado voo, mesmo quando sempre desejou dizê-lo a meio de um momento maravilhoso e romântico sentiu que mesmo apesar daquele espaço era ali que devia fazê-lo…

Na realidade dos acontecimentos, era um dia nublado com algum frio e eles estavam sentados numa esplanada protegidos pela chuva que estaria prestes a chegar. Ele a comer um cachorro quente enquanto que ela tinha apenas um garoto clarinho na sua frente. Ele adorava chamá-la de garota do clarinho, e ela chateava-se imenso por ouvi-lo dizer isso quando na verdade adorava a forma como ele lhe perguntava se ela não preferia antes comer qualquer coisa do que manter apenas isso no estômago.

Ela sentia-se protegida quando estava com ele, como se nada no mundo a pudesse atingir, mas não sabia o que chamar a esse sentimento de proteção. Já se conheciam há tantos anos quantos todos os nossos dedos os podem contar e julgava que dali não poderia sair uma grande história de amor visto ser ela apenas a típica rapariga apaixonada por livros de romance, (tinha um nesse momento na mesa e já ele a tinha abordado sobre qual seria o fantástico final romântico e lamechas daquele mesmo livro e até da vida dela enquanto ela sorria meio corada sem saber o que responder). E na mente dela ele surgia como sendo o tipo de rapaz que não liga a um momento romântico e que tem as miúdas que quiser aos seus pés, julgava ela…, sem saber que o que ele queria ao seu lado e não aos seus pés estava diante dele, bem naquele momento…

Enquanto ela o observava em silêncio, milhões de coisas lhe passavam pela mente e ao longo desse breve momento caíam-lhe batatas, maionese, pão…, pela cara. Até que ela soltou uma gargalhada que fez com que todos naquele local a olhassem. Sendo sincera, ela sabe que foi a primeira vez que não corou por lhe olharem, mesmo após os olhares de lado e os comentários feitos. Porque ela sentiu que mais nada importava naquele momento. Então, foi a meio desse enorme riso que ela percebeu que era amor, que ele ficava ainda com mais encanto quando comia mesmo com a sua forma desastrada de o fazer, mesmo quando se sujava mais do que aquilo que comia (e que estúpida se sentia ela só por pensar isto). Foi aí que ela parou o seu riso a meio e bem antes de lhe limpar a boca olhou-lhe nos olhos e disse-lhe, “eu… eu amo-te…”.

(…)

Ele, tentou compor-se ao limpar toda a comida que lhe estava espalhada pela cara…, tentou manter o seu ar sério (ambas tarefas sem muito sucesso). E ela, cada vez mais nervosa limpou o resto das migalhas que lhe estavam espalhadas pela cara e não aguentando mais reagiu gritando-lhe um “então…?” que se entoou pela rua toda e que fez com que surgissem reclamações por parte das pessoas que estavam presentes naquele espaço. E ele, agora bem mais composto tirou o seu ar sério e riu-se. Mesmo sabendo que aquele não era o local onde ela mais desejava que aquilo acontecesse, olhou nos olhos dela, tocou-lhe suavemente na cara e pronunciou as tão esperadas palavras “eu também te amo!” selando este compromisso com um beijo. Não esperando que isso fosse acontecer as outras pessoas ouvindo tudo o que por ali acontecia aplaudiram-nos, algumas delas fizeram-no não pela prova de amor que ali se passava…, mas sim porque ela finalmente estava sossegada.


RELACIONADOS




PELA WEB

Loading...