Há dias assim.

Podia explicar-te o que sinto, mas não sinto nada que possa ser expressado assim tão simplesmente. Perguntas-me se ao menos sei do que se trata, mas eu respondo que nem eu mesma sei descrever o que sinto. Confuso, sim. Mas é o que tenho de momento.

Tento imaginar quantas pessoas no mundo sentem o mesmo que eu, de modo a não me sentir sozinha neste vazio tão meu. Podia tentar perceber, podia tentar descobrir, mas as forças são escassas desde que os vi partir. Não algo ou alguém, mas momentos que vivi e melhor que ninguém, tão meus e intensos. Ás vezes penso que deveria insistir, outras vezes convenço a minha pessoa de que estou melhor assim…com aquele vazio que habita em mim. De qualquer forma reconheço o desperdício de vida que surgiu neste ambiente, como se o meu cérebro reconhecesse, mas o meu corpo não obedecesse.

Como quando vivemos dentro de uma bolha, os nossos olhos vêm o que o nosso cérebro deseja alcançar, mas o nosso corpo desiste como quem desiste de respirar. E, também, como uma bola de neve tudo se arrasta, evoluindo para algo difícil de controlar. Não é um novo modo de vida, não é nenhuma reeducação, é apenas o desistir do coração.


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