Há amizades assim…

Não precisas mais do que um ‘precisas de falar?’ ou do que um ‘está tudo bem?’ para que a amizade aconteça.

Tu não pedes, mas ela vem, aos poucos. Aproxima-se, com o mínimo dos barulhos. Sem pretensão de ficar. Sem pensar se ficará durante um dia ou se ficará por tempo ilimitado.

Não trás com ela saco cama e não tem onde passar as noites. Mas vem, e insiste contigo. Fica do teu lado, aos poucos. Vai puxando a cadeira e vai sentando-se ao teu lado.

Aos poucos.

Não se senta totalmente. Não faz tudo de uma vez, é errado isso.

É assim que uma amizade vai surgindo. Como se nada fosse e sendo já, quase, um tudo. É assim que as amizades surgem. Ocupam espaços que precisam de ser ocupados e não o sabem.

E há também aquelas amizade que já existiam. Mas que estavam adormecidas.

Talvez por terem medo do que podia surgir. Ou talvez porque o sentimento não era, ainda o mais certo, para se aproximarem. E depois, vão surgindo. Vêm, como se apanhassem um comboio silencioso. Chegam à estação pretendida e saem sem um ruído forte. Não pretendem mostrar que chegaram. Não precisam mostrar que estão presentes.

Apenas, estão.

Sem pedir, sem dizer, sem obrigação. Estão porque gostam de estar. Estão porque são amizades, verdadeiras.

É assim, amizades são assim.

Há todos os tipos. Boas, más, melhores, distantes, certas, apaixonantes. Há amizades para todos os gostos. E há também um tipo, uma junção. É como se a outra pessoa, a que chega aos poucos, tivesse um pouco de tudo. A que sabe, sem perguntar, qual o lado que é necessário de mostrar.

E ali está ela, a surgir aos poucos e a mostrar tudo.

Mostra um lado de melhor, mostra um lado de ouvinte, mostra um lado de bom. Mostra também um lado de verdade, mostra um lado de “não medo”, mostra um lado de que precisa de nós.

Há amizades assim, de todos os tipos.

PORLuisa Pinto
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