Há alturas em que tudo parece tão fácil e outras que tudo parece tão difícil…

Há alturas em que me apetece sair. Há alturas em que me apetece ficar.

Há alturas em que não me calo, em que já nem eu me consigo ouvir. Há alturas em que prefiro estar calada.

Há alturas em que quero participar. Há alturas em que quero observar.

Há alturas em que só tenho vontade de me mexer – correr, saltar. Há alturas em que estou com uma preguiça daquelas que nem me mexo.

Há alturas em que estou assim. Há alturas em que estou de outra forma.

Há alturas em que me sinto bonita. Há alturas em que me sinto feia.

Há alturas em que quero. Há alturas em que não quero.

Há alturas em que me arranjo para sair. Há alturas em que não tenho paciência e saio de qualquer maneira.

Há alturas em que nada me afeta. Há alturas em que tudo me irrita.

Há alturas em que acho que é tudo uma seca, que nada faz sentido e que estou rodeada de idiotas. Há alturas em que acho que é tudo incrível, que os acontecimentos estão todos combinados numa harmonia perfeita e que as pessoas são todas encantadoras.

Há alturas em que tudo parece tão fácil. Há alturas em que tudo parece tão difícil.

Quando não falo, não significa que sou tímida.

Quando desato aos berros, não significa que sou histérica.

Quando estou de mau-humor, não significa que sou antipática.

Há alturas.

Não sou isto ou aquilo.

Há alturas.

Uma pessoa não é sempre assim e só assim.

Há alturas.

Uma pessoa pode mudar de opinião e de comportamento quantas vezes quiser. Não significa que tenha dupla personalidade ou que não tenha personalidade ou que seja falsa. Significa que é uma pessoa.

E uma pessoa é como é.

Não é apenas fria ou apenas quente.

Não é fácil nem difícil.

É uma pessoa. Em várias situações.

PORVânia Tavares
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