A gravidade não é doce!

Estou deitada sobre os grãos de areia finos como o teu amor. A praia é maravilhosa, e a maresia entra enfurecida nas nossas narinas e traz consigo as lembranças.

Tenho o sol a beijar-me a pele branca como flocos de neve, e tenho este aperto no peito. Caminhei uns quantos quilómetros, acreditei que a tarde era perfeita para esquecer-te, queria que este sentimento simplesmente se fosse com as ondas do mar.

Eu não estou triste, nem magoada, não desta vez. Estou apenas cansada. Cansada de dar amor a quem não entende de amar. Cansada de querer o colo de quem me faz chorar. De qualquer das formas, agora estou acordada.

Eu estava no escuro, a cair com o coração aberto, e nem sei como pude ler as estrelas tão erradas na outra noite, mas agora estou acordada, entre ondas e lembranças, tudo está claro para mim.

Agora sei que nem tudo o que se vê, é o que parece, acho que sonhei por muito tempo.

Queria saber naquele momento tudo o que sei agora. Não me teria atirado de cabeça, não me teria curvado, a gravidade magoa e tu tornaste tudo tão doce, mas a gravidade não é doce e tu sabias disso. Até que finalmente acordei no concreto.

Estou a cair da nuvem mais alta, a desmoronar do topo, e olha estou aqui deitada sobre a areia, entendes como isso dói?

Prometo que não voltarei a perder o sono, vou juntar cada pedaço meu, não preciso de nada mais para me completar, vou renascer, não precisarei de mais fingimento.

Uma vez acorrentamos os nossos corações em vão, saltamos sem mesmos nos questionarmos, foi um feitiço, incompreensível. Acreditas em magia?

Era amor e acho que ninguém o podia negar. Mas agora todas as nossas memórias estão assombradas, fomos feitos para dizer adeus, mesmo sem punhos levantados, não daríamos certo, só não digas que eu simplesmente desisti, porque eu sempre vou-te querer.

Começou com um abraço perfeito, e o veneno foi entrando, a perfeição nunca poderia manter vivo este amor. Coloquei-te no ponto mais alto do meu céu e agora tu não desces, queimaste-me e hoje restam apenas cinzas no chão.

Cheguei até a ti como uma bola de demolição, nunca senti algo dentro de mim a rebentar com tanta força, tudo o que eu queria era apenas puder quebrar os teus muros, e tudo o que tu fizeste foi quebrar-me, tu destruíste-me.

Mas estou bem acordada neste momento, ouço trovões a roncar e castelos a ruir, estou a manter-me firme sobre estes grãos de areia finos. Deus sabe que sempre tentei ver o lado positivo, acontece que não estou mais cega, pelo contrário estou bem acordada agora.

E entre ondas, lembranças, demolições, e uma gravidade que pareceu doce, mas um doce que eu descobri ser ilusório, ouço o pulsar de um coração quebrado, mas ainda assim com forças para prosseguir.

Só quero que saibas não importa onde esta estrada vai dar, e alguém tem que tomar o primeiro passo, só quero que saibas ninguém te amará como eu ainda te amo, amo-te o suficiente para te deixar ir e seres feliz, eu vou embora. Finalmente despertei.

PORLetícia Brito
Partilhar é cuidar!