Gostava de sentir apenas saudade.

“Quem nunca se apaixonou por um miúdo lixo que não valia metade do esforço?” É algo que me questiono todos os santos dias.

Talvez numa tentativa falhada de justificar, ou melhor, desculpar este sentimento que trago comigo há tanto tempo. Uma crença irreal de que ele não vale metade do que significa para mim. Se calhar também como forma de tentar apagá-lo da minha memória, do meu coração, da minha vida. Acredito que, um dia, todos passam por aquilo que estou a passar. Acredito para não me ridicularizar, para não me martirizar por sentir-me assim em relação a ele. Acredito para não ter vontade de arrancar o coração por todas as noites que passei com ele a viajar pela minha cabeça e por todas as manhãs em que foi (e ainda é) o primeiro pensamento do meu dia.Por todas as horas, minutos, segundos que me vejo, mesmo sem intenção de tal, a pensar nele, naquele que devia ser não mais do que uma boa parte do meu passado, um passado que não vai voltar.

Reprimo-me mais do que qualquer outra pessoa possa imaginar. Principalmente por não conseguir deixar para trás um amor que morreu há muito tempo, pelo menos numa das partes. O amor mais marcante. O melhor que podia alguma vez imaginar encontrar. E não podem, de maneira alguma, culpar-me por não achar graça a nenhum dos milhares que já por mim passaram. Todos eles falharam na missão de apagar por completo o sentimento que insiste, com toda a força, em não me deixar seguir com a minha vida. O sentimento que todos os dias faz questão de ser lembrado.

Não censuro nenhum daqueles jovens, alguns tão fantásticos, que em nada têm culpa. A culpa foi minha, por elevar aquele miúdo a um patamar tão elevado que provavelmente só ele próprio o conseguiria alcançar. É o típico modelo de rapaz perfeito, com todas as suas imperfeições. Daqueles que originam as mais belas histórias de amor e que, no fundo, só se encontram em filmes mesmo. Eu tive-o, um dia… e deixei escapar.

Temo, todos os dias, não conseguir encontrar um novo rumo. Temo não conseguir nunca mais achar graça a nenhum outro. A cada dia que passa, espero que aquilo que sinto não seja mais do que indiferença, e saudade. Porque sim, tudo o que foi bom deixa saudade. Mas não significa que tenha vontade de repetir tudo de novo, de voltar atrás no tempo.
Gostava de sentir apenas saudade. E pode ser que um dia o meu desejo se realize. Porque na verdade, tudo aquilo que vivemos nada teve de perfeito, mas o foi o melhor que conheço.

PORAlex
Partilhar é cuidar!

PELA WEB

Loading...