Futuro inexistente…

Eu voltava sempre. Não importavam as imensas discussões que tínhamos, a quantidade de vezes que acabávamos o “para sempre”, não importava cada palavra agressiva que me dirigias, não importavam os meses em que ficavas sem me falar, não importava se tinhas engordado ou emagrecido, se tinhas cortado o cabelo ou mudado outra coisa qualquer, eu voltava sempre.

Voltava quando pedias, quando me desejavas, quando te sentias só, quando estavas mal. Eu voltava numa questão de segundos, porque não aguentava ver-te mal, porque preferia ser eu a sofrer do que ver-te a ti nesse estado, porque te amava.

A verdade é que te amava em demasia e, por isso, voltava sempre, mas cansei-me. Cansei-me de esperar por uma chamada tua, por um pedido de desculpas sincero, cansei-me dessa tua indecisão. Cansei-me de ti, mas esquecer-te? Nunca.

Por vezes, ainda sinto o teu cheiro, o teu toque, o teu abraço, ainda me lembro do teu sorriso, do teu olhar, de cada momento, dos teus beijos, dos teus mimos, das tuas palavras, cada surpresa. Claro que lembro de tudo, mas já não dá.

Agora restam apenas memórias, mais lágrimas do que sorrisos, mais dor do que felicidade. Sobram saudades de um futuro que nunca existiu.

PORSusana Lage
Partilhar é cuidar!