Fugi de ti e tu de mim…

Ter que terminar um relacionamento com alguém que ainda amamos é marcarmos data e hora de uma viuvez.

É uma dor e uma grande coragem matar um sentimento, porque não é devidamente correspondido, nem tão pouco respeitado.

É uma grande angústia forçarmos uma despedida que não queremos, mas ouvimos dizer “ que o que tem que ser tem muita força” e é uma força imensa aguentar todos os dias, sem enviar uma mensagem, um e-mail, sem ver o teu perfil no facebook, sem dizer “abre-me a porta estou aqui!”…é a porra de uma força contrária a toda a vontade que sentimos em estar juntos…

É um desprezo falsificado quando dizemos que estamos bem, que estamos bem melhor, que tudo tem um fim e que foi melhor assim…Tentamo-nos enganar contando as nossas mentiras em voz alta, a cada vez mais gente…é um sufoco diário entre o que queremos e o que devemos…

Já não és nada mais que uma memória em mim, já não podes habitar a minha mente, toldando-me constantemente com preocupação, nem tens o direito de cercar-me nos meus sonhos…não, não tens esse direito.

No outro dia quando fazia-me acreditar que já te tinha esquecido, vi um rapaz com o casaco igual ao teu, uma lágrima escorreu pelo meu rosto…eu só queria que aquele casaco não me fizesse lembrar de tudo o que passámos, naquele aconchego que me davas, e dizias “é tão bom estares aqui”, do teu cheiro, do teu cabelo despenteado, do jeito que deste à sala e da comida que fazias para mim…

Já se passaram alguns dias, meses, horas infinitas que não deixo de pensar em ti, conheça eu mil e uma pessoas, que me tratam melhor do que tu…não me dizem realmente nada! Tenho tratado mal algumas dessas pessoas que só me querem bem, sem grande espaço para remorsos.

A cada dia que passa aprendemos cada vez menos a julgar os outros, hoje olho para mim e mal me reconheço! Se achaste-me fria naquela altura, hoje sou uma versão muito pior do que aquela que encontras-te, tornei-me um verdadeiro iceberg, poucas coisas me tocam, raras as que me derretem.

Hoje eu não sou cautelosa, eu sou genuinamente egoísta, sinto que foi esse o maior ensinamento que me deste, que de certa forma nos aproxima, ainda assim existe algo que nos distancia bastante, eu sou uma egoísta sincera.

Eu logo à partida digo com toda a certeza, que não quero ninguém, eu não quero ninguém que me faça acreditar que alguém vale a pena apenas para me ver baixar a guarda, eu não quero ninguém que me desfaça em mil pedaços só para se conseguir consertar um pouco, só para se aconchegar em mim nos seus dias maus, só para me procurar dia sim dia não, só para me roubar uns sorrisos de tempo a tempo.

Caí no erro de pensar que seria tudo mais fácil quando não te visse todos os dias, ignorei-te tanto e da melhor forma que consegui enquanto estiveste por perto, hoje penso em tudo o que não te disse.

Sinto-me meia perdia em mim sem ti…mas porquê? Que tens tu de tão especial, se os dias que me fizeste chorar foram maiores dos que me fizeste feliz? Será que os dias que me fizeste feliz foram poucos, mas os melhores que tive?

Sabes? Depois de ti tudo mudou na minha vida, eu não me sinto feliz com nada, porque agora eu sei que a felicidade não perdura e prefiro não senti-la, ignorá-la e maltratá-la, eu vingo-me dela porque ela fugiu de mim, porque eu fugi de ti e tu de mim.

 

PORAna Mendes
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