Fosse apenas fácil esquecer…

Fosse apenas fácil deixava queimar o toque que arde na minha pele, via arder todas as memórias e deixava o fogo aquecer-me do frio que deixaste. Deixava eu amolecer o gelo que se ergue, assim deixo-o separar-me das palavras meigas, dos doces sorrisos, do conforto … como um muro separa a vida selvagem da tranquilidade do nosso jardim. 

Fosse apenas fácil eu esquecia a tua voz, o som do teu riso … O eco na minha cabeça como se te pudesse ouvir. Deixava de provocar a vida, de me drogar com a adrenalina de saber o quanto reprovarias ter a minha vida em jogo. Mas não, a tua voz não iria surgir nem me iria despertar, certamente nem aparecerias, talvez mesmo nem soubesses a tempo. 

Fosse apenas fácil deixava eu morrer em mim tudo aquilo que vive de ti, esquecia-me do que sonhei um dia, não acreditava mais que foi verdade convencia-me que foi mentira, que delirei tudo o que a minha imaginação suspira.

Fosse apenas fácil eu não queria mais viver esta vida de amor condicionado. Sabe que podias voltar as vezes que fossem precisas que não faria diferença, como dirias “aprendi a lição”, cresci. E ter saudade não implica querer de volta, aliás de volta só gosta de enviar todo o sofrimento que deixaste, as dúvidas que fomentaste e as crenças que deixaste.

Fosse apenas fácil eu deixava as vozes falar, mostrava lhes o quanto certo algo errado pode ser. Conquistava-lhes o medo do diferente, e deixava-os serem quem querem e não quem são e vivem na ilusão de serem livres, quando estão enjaulados pelos seus próprios julgamentos.

Fosse apenas fácil eu sussurrava-te  ao ouvido que isto não é um jogo, e não há segundas partidas. Que somos peões no tabuleiro de mesa de outrem porque deixámos, e não porque é o nosso fado. E sorria, para saberes o quanto dói ser cruel quando um dia já fui querida. 

PORMaggie
FONTEDayDreaming
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