Foram 2 vezes…

Foram 2 vezes…
Foram 2 vezes que o meu coração foi selvaticamente apunhalado.
Contei-as todas hoje mecanicamente como se fosse indiferente mas não sou.
Essas 2 vezes foram responsáveis pelo que sou, pelo que me tornei. Poderia ser diferente?

As ocasiões os momentos? O timing podia ser melhor concordo, as palavras mais frontais, os gestos mais pensados. Faria diferença ? Ou estava destinado a sair ferido?

Interessante o destino, os poetas alguns acreditam no destino, especialmente os fatalistas, os fadistas e alguns portugueses. Endemoninhado por esses momentos tornou-se mais pesado o julgamento, o coração fechado, as palavras amargas os gestos incapazes para acolher. Escrevo isto porque pensei em tudo isso a meio de uma noite triste, noite esta que não era triste mas tornou-se triste tal como tantas outras noites. Não serei eu merecedor que por um momento, um só momento tenha direito a ternura, a compaixão, ao amor?

Serei eu tão pouco dotado para isso? Serei egoísta? Foram as minhas escolhas então ? Mas eu não tive hipótese de escolha não me podem repreender por isso. Serei então impuro, imerecido daquilo que tantos tratam como lixo, que tantos desprezam e desrespeitam?
Sou então pior que todos eles ?

Destinado a fechar o que sinto por causa da inevitável lágrima?
Ele já corre e espera mais uma razão para transbordar novamente meu rosto. Lenta e ferozmente dilacera-me a face porque nela está transportada a razão de ser de se suster na minha face. Serei pastor das lágrimas? Das minhas inevitáveis lágrimas?

Condenado a perder uma a pós outra até secar? Até não sentir mais nada senão um negro, obscuro e incapaz coração. Então de tremores me perco desvanecido e por amores sou consumido. Estranho sustento de minhas dores e me deixa corrompido. Perco de mim todas e quaisquer cores para além do sentido. Penetrando na escuridão latente perdendo também qualquer pensamento quente. Arrefecendo até ao eclipsar total de quem não está bem nem está mal vive por viver sem querer ser mais que outro ou alguém, sabendo bem que o que tem não o contém nem satisfaz nem lhe dá a paz.

Fecho-me para sempre como um morto num caixão e ai daquele que o querer ressuscitar.
O que acontece ? É que volto a enterrar.


PELA WEB

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