Fora de Mim!!!

(O primeiro mês dos mil porquês de um fim sem noção…)

Passou um mês desde que tudo se alterou.

Sabem aquela sensação que aconteça o que acontecer há algo mais forte que tudo? Que por mais que as discussões fiquem feias, que o super ego não baixe a guarda, há algo que não muda, o facto de sermos loucos um pelo outro?

Era isso que eu sentia e acreditava piamente.

Mas tudo mudou da noite para o dia, fui obrigada a acreditar que essa loucura não era uniforme, ou pelo menos vou ter de me acostumar à ideia…

Nos primeiros dias fingi que não estava a acontecer nada, o sofrimento era inevitável mas tentava não pensar muito nisso, escondia que estava sozinha, não queria que ninguém ficasse tão espantado quanto eu, que me influenciassem ou tentassem de alguma forma pressionar, porque eu acreditava que tudo era provisório, não queria tocar no assunto para que não parecesse definitivo, cheguei a achar que era uma lição para acabarmos com o egoísmo ou para valorizar o que havia de bom.

Mas era muito mais que isso, era o fim…

Como se fosse fácil encarar aquela realidade ainda tive de encarar as pessoas, antes mesmo de estar preparada, antes de assumir o que se estava a passar, que nem eu sabia o que era, nem entendia as razões. Tive de enfrentar tudo sozinha, as perguntas, os olhares, os comentários e ouvir que ele estava bem, a divertir-se e a repetir infindas vezes “está tudo bem, agora é que estou bem”.

Pergunto-me todos os dias o porquê de tudo isto, como é possível uma história tão cheia de magia e de sentimento como a nossa terminar assim sem motivo, com tamanha frieza, sem aquela conversa que todos têm quando querem o fim!

Quando o amor acaba faz todo o sentido que as relações não continuem, mas o amor não acabou, ele continua, eu sinto, eu sei que ele sente, há uma ligação muito forte entre nós que eu não consigo explicar e provavelmente ninguém ia entender!

As coisas pioraram, a situação começou a tornar-se insustentável, via o fim daquilo que para mim era tudo, exposto nas redes sociais, vi-o seguir a sua vida, com novas amizades, novos interesses, talvez até novas conquistas e uma série de provocações que não lembram a ninguém.

Como é que alguém a quem eu fiz tanto bem, me poderia querer causar tanto mal?

Comecei a entender que o único objectivo era esquecer-me, arrancar-lo à força do peito mas, (“as coisas velhas não se curam com coisas novas, é como se quiséssemos trocar de corpo cada vez que adoecemos”).

“Mas que mal te fiz?”; “não seria mais fácil resolvermos as nossas diferenças?”; “é tão mau assim amar-me?”.

Há imensas opiniões, “é infantil”, “não estava preparado para uma relação tão séria”, “é uma aventura de verão”, “cansou-se”, “estavam demasiado presos um ao outro”, “ele sabe que é um erro e não está a conseguir voltar atrás”, mas qual é a verdade?

Como é que um homem que moveu mundos e fundos para conquistar uma mulher, que enfrentava até o diabo se fosse preciso por ela, que foi feliz como nunca havia sido antes, que tinha uma mulher dedicada e completamente apaixonada por ele ao lado poderia querer deixar isso tudo.

Não lhe perguntei porquê, eu não fui atrás, não tentei impedir. Até aquela data feri o meu orgulho, dobrei a língua e mordi os dedos e sei lá o que mais, para que nada nos afastasse. Não o procurei para fazer perguntas, nem para mostrar o tamanho do erro que estava a cometer, porque no dia em que “acabou”, pôs um fim de uma forma tão infantil, faltou a um encontro e não mais me procurou, disse-me apenas que era o fim através do telefone sem apresentar razões plausíveis.

Hoje eu sei que foi por medo, medo de ter uma recaída e pergunto-me: “então estar comigo é sinónimo de infelicidade”?

Eu falei algumas vezes, eu espingardeei algumas vezes, eu mostrei-lhe a minha revolta, por estar a viver a vida dele, da forma mais sórdida e vulgar possível e fazer questão de esfregar isso na minha cara, mas tenho consciência que quanto mais me importava mais ele me pisava e fazia pior. Não devia querer pelo menos conservar a imagem que tinha dele?

Não houve ninguém que não se surpreendesse, que não dissesse que só podia estar louco, eu defendo, mas há defesa possível?

Não passam horas ou minutos em que não pense nele, mas será que ele perde tempo a pensar tanto em mim?

Eu esperei um mês inteiro de distância, ausência e indiferença para ouvir da boca de alguém que ele quis falar sobre mim, que não estava bem como dizia, esse dia chegou, mas tudo está igual, eu não posso alimentar-me de palavras, muito menos quando me sinto apenas uma reserva na lista dele.

Porque não me procura a mim, porque não me diz a mim o que sente, porque age como se tivéssemos 15 anos Mas se gosta de mim, porque não está comigo porque diz que amar-me não chega? Continua a importar-se comigo, a sentir ciúmes e não conseguir adormecer porque está a pensar em mim.

Sei do que sei e falo com certezas porque o conheço melhor do que ninguém, porque finalmente começou a interessar-se por notícias minhas e falar com quem me fala ao coração. Magoa tanto que durante este tempo não me tenha perguntado uma única vez como estou, ou que me tenha dito que me ama para amenizar a minha dor, mas eu sei que ama.

Se me perguntarem como tenho passado vou mentir, mentir para não parecer ridícula!

O último mês mudou a minha vida por completo, se houveram 5 dias em que não precisei de tomar comprimidos para dormir, foi muito, a minha mente tomava conta do meu corpo. Emagreci 3kg em duas semanas e meia e até hoje não fui mais capaz de voltar à balança.

Mas como habituar-me a uma mudança tão abrupta, todos os dias adormecia com um “boa noite, amo-te”, acordava com “bom dia meu amor”, “quero ficar contigo para sempre, és a mulher mais especial do mundo” e agora o meu telefone nem toca mais.

Não houve um dia que não chorasse, não houve um dia que não procurasse notícias dele.

Mas isso é amor ou doença?

É a dor que se apodera de nós, dói tanto que não conseguimos controlar o choro, a fraqueza, a angústia, a esperança, a ilusão, o sabor doce que teve o passado, talvez um estado já meio depressivo e avançado. Acho que a única coisa que me manteve de pé, foi a minha auto-estima, foi a necessidade de me sentir melhor comigo todos os dias e a certeza que durante este tempo e apesar dos motivos de revolta, fui sempre eu mesma, aguentei-me firme aos olhos dele e dos outros, nunca perdi o respeito por mim ou por ele e mantive-me sempre no meu lugar. Vestia-me, penteava-me e maquilhava-me melhor do que nunca, fazia questão de me sentir bem exteriormente já que o interior estava tão escuro e continuo a fazê-lo.

Mas o que preciso ver mais, para seguir em frente sem olhar para trás? De preciso mais para ver que esgotei todas as minhas possibilidades e que estou consumida de sofrer?

Às vezes entendo que acabou mesmo e que não há nada que o vá demover, por outra penso que as coisas só tomaram esta dimensão porque tomei uma atitude que ele nunca tinha visto antes, mostrei desprezo, mostrei indiferença e a pior, vivo a pensar que ele vai cair na real e perceber que não é um conjunto de biscates que vão fazer esquecer-me e vivo a fazer planos para o dia em que tudo vai voltar a ser diferente, porque sei que não me esqueceu.

Mas a realidade é que além de viver a vida dele que está completamente renovada, tanto o círculo de amigos como a parte profissional, ele bloqueou-me da vida dele (não se resume apenas à rede social), são 30 km que nos separam e não frequentamos de todo os mesmos sítios.

É óbvio que o meu pensamento frustrado foi: “se queres esquecer-me eu vou contrariar isso, eu vou passar diante dos teus olhos”.

Durante este tempo tivemos dois encontros apenas, que marcamos, muito curtos e sem transparência, para devolvermos o que pertencia ao outro. Não há um dia que não haja algo que me faça lembrar o que vivemos, sítios por onde passamos, músicas que ouvimos, ainda não houve um dia que o conseguisse chamar de ex, ou que não falasse dele com carinho (é claro que também há muitos momentos de raiva).

E as cartas?

As cartas maravilhosas que ele me escrevia. Nos primeiros tempos, ou nos segundos, lia-as todas as noites, talvez para tentar lembrar-me do homem maravilhoso que ele tinha sido e esquecer a pessoa em que se tinha tornado!

E para que se perceba que não falo à toa, falo de um homem que abdicou de muito para ficar comigo, de um homem que me assumiu perante toda a gente, que se babava de orgulho em mim, que mostrava a quem fosse preciso que não havia amor maior, que não sabia viver sem mim (e não deve saber mesmo) e não fazia muitas promessas, ele mostrava mesmo, ele deixava a família para vir viver para perto de mim se a vida nos tivesse proporcionado essa facilidade, ele surpreendia-me como nunca vi homem nenhum surpreender. E havia quem dissesse que nunca o viu tão entregue, dedicado e apaixonado! Era incrível o que existia entre nós, como se todos os ventos soprassem a nosso favor apesar das diferenças!

É uma soma de dúvidas, de porquês que se acumula e quanto mais tempo passa mais mal-entendidos surgem, e o famoso diz que disse que nos proporciona cornos imaginários, macaquinhas onde não existem e afins. Não fui a única a fazer cenas de ciúmes e julgamentos que não tem nada para julgar.

Podia tentar sintetizar a informação mas não me permito a isso, é tão complexo, este estado revolta, de tristeza, de ilusão, decepção, de dúvidas que não quer terminar.

Eu chego à conclusão que ainda não aceitei… Talvez bastasse aquela conversa de fim de relação para tentar entender esta transformação.

Eu morro de saudades, eu morro de ciúmes, morro de raiva, morro de vontade de abrir a porta para ele entrar, só este amor é que teima em não morrer, nem aos poucos… Posso afirmar com todas as letras AMO-O como antes do fim, como durante o nosso percurso feliz, acho que o amo mais até, só agora entendo a dimensão do que sinto!

Só espero que custe menos quando voltar a escrever-vos no próximo mês!

Levem isto como exemplo a não seguir, não optem pelo caminho mais fácil, como ele fez, lutem sempre por aquilo que vos move por dentro, não desistam quando houver tempestade, só não fiquem como eu, é o que vos desejo.

PORVânia Costa
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