Fiz o impossível, perdi-me em ti…

São poucos os segundos, é escasso o tempo. Mas isso todos nós sabemos. Todos os que se importam deveriam se perguntar porquê sessenta? Porque é sessenta a base do viver?
Eu não te presenciei mais de 30.000 noites, mas sei que dos olhares que vi posso bem dizer que daqui a exatamente sessenta anos, sessenta noites, posso dizer que saberei com exatidão o sabor do teu olhar, posso dizer que saberei com a menor das incertezas a luminosidade do dia em que nosso amor for reencarnado.

Sei-o apenas de perguntar a numes que nas águas andam, sei-o apenas por deidades, foram ditas incontestáveis frases, pronunciadas vitais palavras que poderiam escandalizar o mundo, atenção que eu soube isto num olhar, olhar lançado em exatamente sessenta segundos. Posso dizer que num olhar de uns precisos sessenta segundos, soube no momento, que as nuvens eram de uma imensidão de sessenta mil lagos. Incultos são os que dizem serem precisos anos para se estudar o céu, eu estudo-o, eu venero-o. É fácil para quem quer aprender as cores da vida, é fácil no bom entender, é fácil ter-se tudo e ainda mais, perder-se tudo.

Não há nada que numa absoluta verdade seja imperecível, nada, no tecto da vida não há nada além de céus. Céus visados em lagos e não segundos. Está tudo errado quando alguém está certo, pois se os céus são visados em lagos, os dias são contados nas bermas e as flores encantam não as terras, mas os mares, é tudo perfeito, seja dia ou noite, é tudo de uma soberba perdição. Deus criou o mundo para que nos perdêssemos nele e eu enganei-me, se calhar fui um pouco trapaceado, mas eu perdi-me no mundo, e perdi-me em ti. Fiz o impossível,perdi-me em ti…

PORDiogo Sousa
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