O Fim Do Sonho Dói…

Eu sentei-me na penúltima mesa do lado esquerdo, junto à pizzaria, olhei o relógio e os meus olhos procuraram ansiosamente por entre a multidão, queria tanto ver-te de novo. Admito, relacionamento à distância não era nada fácil, fazias-me falta todos os dias e em todos os nossos reencontros lá estava o nervosismo na ponta do meu estômago a gritar furiosamente.

Eu sentia falta do cheiro do teu cabelo, ansiava o toque das tuas mãos fortes, principalmente, almejava ouvir o som do teu riso que trazia uma alegria inexplicável para dentro do meu ser. Sentia-me completa contigo sentado à minha frente com aquele sorriso rasgado de menino safado.

Até que te vi surgir além a sair do elevador, no meu encalço, com o cabelo molhado, parecias um anjo com a tshirt branca. Sorriste e eu derreti-me. Correste para os meus braços e senti-me completa. Cochichaste ao meu ouvido que morreste de saudades a semana inteira e eu também.

Levantei para ir buscar o MC Flurry de Sneakers, o teu preferido, e sentei-me de novo, era tão bom segurar-te a mão. Entre um assunto e outro chegamos a um lugar pesado, ele confidenciou-me o medo que tinha de me perder.

Eu acariciei o cabelo dele, o braço tatuado e os seus olhos encontraram os meus, sorri de esguelha, ele estava triste, eu sei a vida nao tem sido doce com ele, e a dor dele doía em mim também. Disse-lhe que ninguém merece sentir-se assim, queria que as pessoas vissem além das aparências.

O amor é muito mais que isso e eu queria dizer-te que quero levar-te para Paris, mas a verdade é que não precisas de mim.

Amor, tu podes chegar a qualquer lugar sozinho, mas eu adoraria ir contigo! Eu queria dizer-te que ninguém será capaz de amar o teu sorriso como eu, mas a verdade é que acho que é impossível não amar o teu sorriso. É impossível não apaixonar-se por ti e se, se algum dia o meu amor for pequeno demais para ti, vai embora. Desejo-te a lua e as estrelas porque é nesse amor que acredito, calmo e pacífico. Sem posse e distante da insegurança, do medo de perder. Tu mereces.

Ele desviou os olhos cheios de lágrimas e pediu para que eu parasse de ser uma idiota sentimentalista e eu abracei-o com força. Acariciei a face dele e aquele sinalzinho no rosto. Eu sorri, sorte a minha que me deixaste amar-te.

Quando acordei, tu já não estavas cá. Aliás, não estavas em lugar algum. O fim do sonho dói tanto como o o fim do amor.