A felicidade chegou sem ti!

No vazio da cama encontro o silêncio que em momentos julguei desconhecer. Entre paredes caiadas e monótona respiração, relembro-te na ausência das estrelas. Em céu incolor de cerrada noite sonho com sorrisos fugazes e abraços tardios. Pergunto ao relógio porque não ama coração sem dono e ao calendário porque não venera vida sem rumo. E no silêncio a alma grita a dor que os olhos já não sabem chorar, confortando o peito vagabundo de quem aconchega o vazio do ser.

Não imploro regressos, não desejo desculpas, não sonho passados. Na falta encontrei presente e no amanhã que teima em chegar, achei a coragem que julguei já não ter. Quero um sorriso de graça pela manhã, uma balada pelo almoço e uma lembrança pelo jantar. Dispenso uma dúvida do acordar, uma incerteza ao almoço e uma desilusão ao jantar.

Hoje tornei-me a mulher que conheceste, deixando na melancolia do ontem a mulher que me tornaste. Encontrei no sol a luz que precisava, nos amigos a companhia que desejava e em mim todos os sonhos para viver.

Foste a valsa de uma quente noite de verão, o tímido florescer de Primavera. Mas foste também a perene escuridão de Outono e a fria ausência de Inverno. Se há erros por perdoar, palavras por dizer ou algum abraço por dar hoje já não o sei. No ontem via infinitas vírgulas a uma figura que partiu sem levar uma única, desconhecendo no ponto um término que vivias sem ver. No hoje vejo reflexo de liberdade, a amarga distância de um homem que nunca o soube ser.

Só tenho um pedido e nem para mim o reservo. Espero que no futuro saibas dar valor ao amor que um coração solitário cegamente te entrega. Que não partas o carinho com desculpas e na falta de tempo não aches justificação para remendar o amor que nunca soubeste sonhar. Que vejas num olhar silencioso o bater taquicárdico de quem gosta e que no simples estar vejas complemento ideal para o teu vagabundo ser. Ama sem medo quem te ama com coragem. E no dia em que não resultar inventa mais um pouco, mas nunca apagues o fogo de quem em chama por ti renasceu.

Amei-te mas hoje apenas te recordo como o homem que ao meu coração ensinou a mais dura das lições. E no final não te esqueças: ama-te e nela reconhece os pontos necessários para o teu vagabundo coração remendar… E sê muito Feliz que eu hoje já o sou!

PORPaula Cerqueira
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