Fechamos os olhos juntos…


Fechamos os olhos juntos. Contamos, os dois, até cem: um de nós acaba por ganhar, o outro acaba por perder. Nenhum de nós diz seja o que for. Calamo-nos e abrimos os olhos. Olhamos um para o outro. És tão bonito.

Às vezes acho que não o sabes, mas: és tão bonito. Às vezes quero dizer-te a sorte que tenho em te ter a olhar para mim. Às vezes quero repetir-te essa sorte que tenho em partilhar o teu olhar meigo, ou o teu toque nos meus cabelos, ou o meu hálito a café do nosso beijo que sabe a despedida.

Tenho sorte em ter-te, mas não te digo. Na minha cabeça tu sabes a sorte que tenho. Na minha cabeça tu sabes tudo. Na minha cabeça o nosso amor não tem um prazo de validade. Consigo imaginar-nos, já velhinhos, de mãos dadas: rugas nas rugas. Continuas bonito. Atrás das rugas e dos cabelos brancos e dos óculos: continuas lindo.

Fechamos os olhos juntos. Contamos até cem, os dois, em conjunto. Contamos até cem e não nos cansamos um do outro. Um de nós ganha, o outro perde. Ninguém sabe qual, nenhum de nós diz seja o que for. Até ao cem estamos juntos. Depois do cem estamos juntos. Estamos sempre juntos.

Fechamos os olhos juntos. Contamos, os dois, até cem: tu não sabes, mas eu ganho-te. Não te digo seja o que for. Calo-me e abro os olhos. És tão especial. Tenho a certeza que não sabes, mas: és tão especial.

Espero que saibas a sorte que tenho em ter-te ao meu lado.  Espero que saibas que adoro cada capítulo da vida que tenho partilhado contigo como amigo mas que quero ir além disso– e que não te cansas de escrever no papel. Espero que saibas que te amo a mil à hora (é assim que o meu coração reage sempre que estou contigo. Que posso fazer?).

Quando me lanças esse olhar de menino perdido à procura de um pouco de mimo. É impossível não te amar. É motivo suficiente para ficar com um sorriso parvo na cara. Só quero que saibas que és especial. Que é impossível não me sentir também especial quando estou contigo.É impossível não me calar quando te ganho – e eu ganho-te sempre. Talvez por isso conte contigo até cem e fique calada.

Cantamos juntos aquela música inicial que costuma passar nos filmes. Desafinamos, juntos, cada acorde. Nenhum de nós ganha, nenhum de nós perde. Desafinamos juntos. Acabamos a rir, juntos. Na verdade eu ganho-te sempre, mas isso não interessa. Desde que estejamos juntos, nada disso interessa.