Por favor, não vás. Deixa-me amar-te!

Deveria ter-te dito isto antes de te ver fazer as malas e colocar as chaves sobre a mesa.

Deveria ter-te dito isto antes de te ver sair disparado e a gritar aos sete ventos que não tinhas mais ninguém para te “prender”.

Poderia ter pedido isto quando disseste que me amavas, e que me aceitavas com todos os defeitos, mas como sempre fiz cara de menina de cinco anos e ficamos sem falar por semanas. Espero que não seja tarde, mas preciso insistir. Por favor, não vás.

Não faças aqueles dramas dignos das telenovelas brasileiras que nos cansamos de ver no horário nobre, deitados um sobre o outro no sofá da sala. Olha esta casa tão grande… Ficará tão vazia sem ti… Não saias assim, nao batas a porta na minha cara enquanto discutes com destino e te amaldiçoas por um dia nos termos conhecido. Não ligues para todas as tuas ex namoradas, não voltes a ser o melhor amigo do barman da discoteca do centro da cidade. Não fumes, não bebas, não desapegues, não tentes esquecer-me. Por favor, não vás.

Eu sei que as relações devem ser compostas e não trocadas. Sei também que o nosso prazo de validade está mais do que vencido e ninguém se importou de pedir a renovação no setor dos cupidos. Posso passar a madrugada toda a fazer uma lista com os motivos que tens para ir embora. Os cabelos que entupiam o ralo da banheira, as discussões pelo filme de hollywood ao invés do futebol, a toalha molhada atirada para cima da cama, a falta de vontade de inovar na cama.

Mas, lembras-te como costumávamos ser? Os arrepios pela espinha. As borboletas na barriga. A vontade incontrolável de tirar a roupa em locais públicos. Quando os beijos eram mais importantes. Quando o amor prevalecia, mesmo em meio às discussões, aos ciúmes parvos, à distancia e à saudade. Era amor. Então por favor, não vás.

Fica só um pouco mais. Deixa que o café fique frio (até porque eu nunca o tomo quente e sei o quanto isso te deixa frustrado) e deixa que a saudade sossegue no peito. Deixa-me beijar-te, despir-te essa t-shist branca da Lacoste e despir-te o sossego. Vamos deixar o passado no passado e viver o presente como se fosse realmente o que ele é, um presente. Vamos viver os nossos sonhos, viajar para Paris (como tantas vezes te pedi) ou passar a tarde no shopping aborrecido da cidade.

Vamos conversar sobre futebol, canta a música em que insultas o meu clube só para me veres amuar e vamos fazer um drama básico porque quase te esqueceste do nosso aniversário e amar como nunca amamos na vida.

Eu sei que o amor pode ser construído novamente, se lhe dermos uma oportunidade.

Então deixa-me lutar por nós, depois de te teres cansado de o fazeres sempre por mim. Deixa-me ser eu hoje, a fazer valer a pena os poucos meses que vivemos juntos.

Deixa-me amar-te. Por favor, não vás.