Se falo na natureza é porque a amo

Sou mais feliz desde que abri olhares e emoções à natureza.

É como se a natureza fosse “a cura de todos os males”. Envoltos nas suas garras, tudo se descomplica. Ficamos pequeninos, porém, ricos.

Chamam-lhe “mãe natureza” e não pode ser por acaso. Mãe é sinónimo de carinho, proteção, dedicação e amor, significa ainda força e sabedoria, segundo alguns dicionários. Não é por acaso.

Natureza rima com alegria e amor, rima com proteção e paz, rima com sabedoria e inspiração, e rima com emoções e positividade.

Está ao nosso alcance sempre, embora poucas vezes paremos para desfrutar de tal privilégio.

Um rio, uma árvore, um pomar ou uma simples flor. É a simplicidade da natureza que esbanja encanto.

Digo, na primeira pessoa, que sou mais feliz desde que abri olhares e emoções à natureza. Desde que a comecei a contemplar e usar, desde que me entreguei às suas ferramentas naturais. Sou mais feliz desde que aprendi a amar a natureza. Desde que visitei os quadros por si pintados e me deixei pertencer-lhes. Sou mais feliz desde que me assumi como sua filha. Sou filha da natureza e isso é motivo já por si suficiente para me sentir feliz.

Amo a natureza, como se de uma parte do meu corpo se tratasse. E é por isso que sinto dor quando lhe fazem mal. Fere-me a constatação do mau tratamento a que está sujeita a natureza Ferem-me os atentados com que a provocam. E Ela, tão sublime, porém frágil, continua a amar todos, continua a ser boa, a ser “a mãe”.

Creio que, no geral, as pessoas seriam mais felizes e menos frustradas/ressabiadas se amassem a natureza também. Não há ódio, não há remorso nem arrependimento, não há culpa nem maldade perante a natureza. Há somente liberdade e harmonia, tranquilidade e conciliação.

E nós, humanos, somos masoquistas por danificarmos a natureza. Somos masoquistas por arruinarmos o melhor da vida. Somos masoquistas pela poluição que fazemos, da água e do solo e do ar, somos masoquistas pelos incêndios, pela destruição da fauna e da flora, pelos gases que emitimos para atmosfera, pelo desperdício de energias, somo-lo, até, pelos animais que matamos para nos alimentarmos (um assunto a debater noutra circunstância). Sem exigir nada de nós, o mínimo que a natureza merece é respeito. Porém, temos feito tudo menos respeitá-la. Talvez estejamos à espera que tudo dure sustentavelmente para sempre, ou que tenhamos outro planeta para viver quando degradarmos este na totalidade.
Sinto culpa (muita) pela pertença ao grupo que apunhala aquilo que de melhor existe, e aquilo que tanto amo.

E “Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é, mas porque a amo”, tal como escreveu Fernando Pessoa. Não sei, sequer, se a natureza é mesmo a cura para todos os males, mas creio que sim, para mim, tem sido.

PORCátia Cardoso
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