Falo com o coração, desculpa.

A vida ensina-nos da pior forma a sermos fortes. Quantas vezes gostaríamos de ter tido um livro que nos ensinasse a ser indiferentes aos sentimentos?

Nunca fui pessoa de sentir pouco, ou sinto muito ou não sinto nada. Não fui ensinada a viver com semi-sentimentos, ou com semi-palavras. Nunca me ensinaram a engolir sapos, por isso não guardo nada do que tenho para dizer. Ensinaram-me sim, a ter filtros, a filtrar as coisas que podem magoar e a evitar expressões que possam denegrir a minha imagem ou as dos outros, e eu tento seguir esses ensinamentos. Mas quando se sente, é lixado, não é?

Ouvi dizer que as cicatrizes do passado nos lembram as batalhas que vencemos, e eu não discordo, porém considero que as cicatrizes do passado nos lembram também das dores que sentimos, e como sou um ser que sente: ponho o pé atrás.

Não sou a favor da culpa incutida nos inocentes, mas no que diz respeito ao amor: ninguém é inocente.

Desculpa se falo com o coração, se às vezes digo o que devo e não devo dizer, mas pelo menos sabes que digo o que sinto, embora nem sempre queiras ouvir ou prestar atenção.

Achas que sou dramática e paranóica, eu acho que sou sincera e sensível. Tento ser o melhor para ti, mas as diferenças entres os nossos mundos deixam-me insegura, não me encaixo no teu mundo e seria egoísta da minha parte pedir-te que criasses um mundo só para nós. Na verdade nunca pertenci a nenhum mundo além do meu, onde vivia numa bolha isolada do exterior, sabes que tenho um passado e tu também o tens, sabes que tens um mundo e que eu também o tenho, mas qual de nós quebra as muralhas para permitir que os mundos se encaixem?

Não te peço muito, não te exijo nada mais do que aquilo que acho que mereço, e eu acho apenas que mereço ser feliz e sentir-me segura, achas que é pedir-te demais?

A insegurança não mata mas corrói e eu sei, e tu sabes, que nenhum dos nossos mundos é perfeito, sabes que não vale a pena criar muralhas à nossa volta para evitar que os nossos mundos se tornem num só.

Falo com o coração quando te digo o que magoa, acho que tenho esse direito e tu também o tens, mas o dom da calmaria e do diálogo não existe em mim, não sou dramática, apenas tenho muito sentimentos, por ti. Gostas de falar das coisas, mas dizes que não se pode falar comigo, admites o cansaço e o sufoco, admites também que me amas e que não sabes o que seria da tua vida sem mim. Acho que não saberias viver sem um pouco do meu turbilhão de emoções, e eu não saberia viver sem ti.

Não leves a mal as minhas discussões, ou as minhas provocações, sei que te esgoto a paciência e entendo a tua fúria quando levantas o tom de voz, mas a verdade é que não sei até que ponto gostas de mim, e eu gosto de ti ao ponto de não gostar de mais ninguém.


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