Falar à toa!

Apetece-me voltar atrás no tempo. Quando a vida era boa e eu não tinha essa perceção, quando a minha maior decisão era se ia à 1ª aula ou ficava a dormir mais 1h. Quando os trabalhos que os professores mandavam para casa eram “tão complicados”… Ah! Ricos trabalhos de casa, como tenho saudades disso! Era tudo tão bom nessa altura.

E não falo das pessoas que me rodeavam, das tarefas que tinha, ou até mesmo de poder ficar na cama uma manhã inteira. Refiro-me sim da vida em si. Das rotinas mal vividas, dos planos para o futuro – que acabaram por nem chegar a meio, mas que sabiam tão bem de imaginar – das preocupações que não tinha, das preocupações que via os meus pais terem e que pensava “não sei porque eles estão tão preocupados com aquele assunto, se fizessem de maneira x o assunto ficava tratado!”, mas… E agora? E agora eu? Cada vez mais temos de nos tornar independentes à força, sem termos vontade disso.

Quando é que os problemas começaram a surgir na minha vida? Como?! Eu não me lembro de ter deixado nenhuma porta aberta para eles entrarem… Quando é que eu comecei a perceber os meus pais? Quase que jurava estar ao colo deles ainda ontem…

Quando é que a vida começou a acontecer de verdade? Ainda me lembro de ter comprado uns óculos de sol para proteger a minha vista de ver a realidade do mundo… Como é que eu não dei conta destas mudanças? Porquê?! Era tão mais fácil se me tivesse precavido a tempo, não sei como deixei este lapso – apesar de inevitável – acontecer. Acho que apenas não queria que acontecesse, a realidade é essa. Mas podia ter adiado mais um pouquinho, não?!

Enfim. Não sei como as mudanças invadem a nossa vida e nós nem damos conta delas. Se as crianças soubessem que elas têm o mundo – o que elas criam na mente – na palma das suas mãos, eram tão mais felizes. Mas a verdade é que nunca estamos bem com o que temos, e essa saga começa desde que somos pequenos. Sem noção do que é a realidade, imaginamos o impossível, já quando adultos temos noção da realidades a mais… 8 ou 80.

Ah sei lá, tenho saudades de tanta coisa. Mas a única coisa que sei, e que tenho na minha lista de objetivos, é que recuso-me a aceitar que a vida é isto. Ou que, pelo menos, tenho que encara-la seriamente. Quero encara-la como uma criança-adulta. Quero poder rir-me dos problemas, quero poder fazer figuras tristes com os meus amigos, quero saltar na praia, quero jogar às escondidas caso alguém se esqueça de levar cartas nas férias. Sei que quero tudo isso, quero encarar a vida com um sorriso, como uma criança de 10 anos o faz. Porque quero ter 10 anos, apenas com uns em cima deles, mas que não me tirem os 10.


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