Ele traíu-me.

Ontem, vi-te. Vestias a tua camisa preferida. Aposto que ainda tem o meu cheiro entranhado, pela quantidade de vezes que a vesti depois de mais uma noite de amor. Estava sempre em cima da tua cadeira da secretária, dizias que era mais minha do que tua. Até ao dia em que deixou de ser mais minha e passou a ser mais dela.

Enquanto ela tinha a tua camisa e o teu bom sex0, eu tinha o teu abraço e, pensava eu, o teu amor. Pensava eu, cá na minha ignorância. Ou devo chamar ingenuidade?!

Hoje, dou-te os parabéns pelo bom ator que foste. Mas também te agradeço por me teres feito abrir os olhos. É, obrigada.

Levo de ti imensas coisas boas, imensos momentos que sei que não vou passar com nenhum outro homem. Levo de ti as mais belas memórias de dias felizes, as mais bonitas recordações de viagens, de jantares, de idas à praia, à piscina, a casa dos teus pais e à quinta dos meus avós. Mas também levo de ti um enorme desgosto, um enorme rasgo no meu coração.

Agora, sei que não preciso de ti. Mas também sei que ainda não te esqueci.

Não tenho raiva de ti. Nem ódio. Simplesmente guardo-te num local do meu coração que dificilmente vou querer voltar a abrir, mas guardo-te. Guardo-te porque, se não o fizesse, ficaria vazia. Vazia de momentos, vazia de sensações, vazia de sentimentos, vazia de alma. Apesar de tudo, ainda me preenches.

Espero que, um dia – não importa o quão longe esse dia possa estar – tu percebas que aquilo que queres no momento não pode ser substituído por aquilo que queres para a vida. E espero que, nesse dia, ainda sintas o meu cheiro na tua camisa.


PELA WEB

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