Eu não presto!!!

O que aconteceu entre nós era óbvio. Ou você esperava que eu, logo eu, seria teu príncipe encantado? Abandona esse papel de vítima e encare a realidade: no fundo, tu sabias bem o que te aguardava. Não somente tu. Tuas amigas e a torcida do Flamengo sabiam o desfecho dessa historia. Ainda assim escolheste a ilusão. Vendou os olhos e tropeçou em todas as pedras que haviam pelo caminho, até cair e perceber que teria de levantar sozinha.

Avisaram a ti que eu não prestava. E não presto mesmo. Sou o típico homem que move montanhas para conquistar e, assim que conquisto, o interesse some instantaneamente. No fim você não passará de outro nome na minha lista. Outra na minha busca incessante por prazer.

Eu não entendo porque você ignorou todos os avisos. Eu não sou o cara que passaria o domingo contigo, sou aquele da sexta. Que te deixa esparramada na cama e sai de mansinho antes do primeiro raio de sol. Aquele que não liga no dia seguinte. Que não te convida prum jantar romântico. Aquele que irá bagunçar muito mais do que teu cabelo, bagunçará tua vida. Que te colocará fora de prumo. E você sabe que será assim. Você está ciente dos riscos.

Homem da tua vida? Só se essa vida se resumir a uma noite. Eu não me envolvo. Tenho preguiça sentimental. Não suporto aquele nhe-nhe-nhém entre casais. Os apelidos. A mania de falar tudo no diminutivo. O pacote dum relacionamento sério me dá náuseas. Você sabe, não sou flor que se cheire. Não me importo se nossos sobrenomes combinam, ou se eu me encaixo perfeitamente nos teus sonhos. Se tuas amigas nos achavam um casal bonitinho. Não vai rolar. Desencana.

E você não conseguiria mudar esse meu jeito. Tô pagando pra ver quem conseguirá. Enquanto ela não chega, se é que vai chegar, seguirei dizendo exatamente o que você quer ouvir. Criando semelhanças inexistentes entre nós. Se preciso for, direi aquele “eu te amo” sem um pingo de verdade.

Me odeie o quanto quiser. Espete à vontade aquele boneco de vodu que você faz pra mim. Reforce tua crença de que homens não prestam. Desacredite do amor. Mas não negue: você sabia. Então me diga: como esperar um final diferente dum livro que você já leu? Agora vai, aperta teu travesseiro ensopado de choro na gana que ele seja meu pescoço.

Não te quero mal, apenas não te quero mais. Te desejo sorte na tua busca pelo homem da tua vida.

POREduardo Rocha
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