Eu era uma vida, e tu quiseste morrer (…)

Agora que não me queres, eu sou tão tua, seguiste o caminho mais fácil mas eu estou contigo na mesma e nem me vês.

Eu tou aí, ao teu lado… Sim agora, agora que estás com outro corpo, outro cheiro outro toque, eu tou sentada à observar-te!

Lembras-te de mim?

Vais parar? Não! Continua…

Eu quero ver se o teu desejo é o mesmo.. O teu fôlego, a tua vontade. Se pedes mais.. Continua, esquece-me como tinhas feito a umas horas atrás…  Não consegues!

Pedes para sair do teu quarto e cais em ti. E queres-me ali, agora de verdade. Envias mensagem, ligas-me… Sais de casa e vens à minha porta.. Eu encostada à porta sinto-te mas não vou abrir, eu calculei que viesses mas não tinhas de tentar esquecer-me enquanto a tua cama ainda estava aquecida por mim.

Desistes e voltas para casa, seguras as nossas fotos passas os dedos no meu sorriso, lês as minhas mensagens, até as maiores, aquelas que só lias o início agora ias ler até ao fim… Lês em voz alta, lês mais alto o “Amo-te” que te deixava no final.

Agora olhas para a tua cama e vês que realmente só eu completava o outro lado da mesma, imaginas-me despenteada a pedir-te mais um beijo antes de ires, lembras-te de eu nua com os meus pormenores próprios sobre os teus lençóis… Os meus adereços pelo chão, perdidos pela cama, o meu gemer… Voltas a ligar-me, queres-me.. Mas eu não estou… Não estou para ti, o meu quarto é igual ao teu, cheio de ti, e mesmo assim eu não quis outro a tentar apagar o que de bom deixaste lá perdido e tu quiseste-me fora daí, e eu saí… Não me peças para voltar, não me peças para te fazer feliz. Eu era uma vida, e tu quiseste morrer (…)

PORMary Sousá
FONTEApenas eu
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