Eu deixei e fiquei a ver os comboios passarem…

Essa história de quem muito se ausenta um dia deixa de fazer falta , não é bem assim . Há alguém que se ausentou da minha vida e não há nenhum dia que não sinta falta . Porque sei que poderia ter sido diferente .

A única presença que um dia deixa de fazer falta é a presença de alguém que não nos marca , que vem só de passagem . Mas depois há pessoas que nos fazem sentir que estamos vivos , e essas sim , são as que por mais que se ausentem nunca deixam de fazer falta .

Sentimos falta do olhar, do sorriso , do toque , da melodia da voz , da paz que nos transmitia , do conforto , da personalidade, das brincadeiras … Sentimos uma falta constante daquela rotina doce e serena que vivíamos . E que já não vivemos mais .

Dói só de pensar que tive o mundo nas mãos e que deixei ir com uma rajada de vento . Dói saber que aquela felicidade momentânea que vivi, foi a felicidade mais verdadeira que alguém um dia me proporcionou . Dói saber que ele era tudo o que sonhei , e que depois de encontrar , foi embora sem explicação . E eu deixei .

Fiquei aqui a ver os comboios passarem . Mas amar também é saber deixar ir . E não só . Amar é deixar ir , e não deixar mais ninguém vir . Amar é sentir falta todos os dias, mesmo com ausências prolongadas e sem fim . Esqueçam esse assunto de “quem se ausenta um dia deixa de fazer falta” porque não é bem assim . Pelo menos enquanto não se apaixonarem à grande !

PORLia Martinho
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