Eterna memória…

E nós achávamos que nos iríamos reencontrar duas semanas depois… E nem nos despedirmos devidamente, foi apenas um “Boas férias, bom natal, e boa passagem do ano meninas” mas… foi tudo, menos umas boas férias. Não conseguia mentalizar-me como a “sala amarela” se iria tornar a sala cinzenta, como as aulas mais divertidas seriam aquelas que agora me iriam trazer boas lembranças mas ao mesmo tempo causadoras de sofrimento. E eu sei, foi dura a partida, mas será lindo o nosso reencontro.

Eu sinto as suas gargalhadas quando a turma ainda se ri na NOSSA sala. Eu sei que se ri connosco. Eu sei que responde ao meu “Bom dia” quando eu entro na sala, e lhe digo entre os meus e seus pensamentos, ninguém ouve. Mas nós sentimos . Eu sei que me ajuda a ter as ideias que preciso para finalizar os trabalhos, e sinto a sua mão por cima da minha a dar os últimos retoques aos desenhos. São coisas que ninguém vê, ninguém ouve, ninguém repara além de nós, que acreditamos. Eu acredito que não me abandona, e que sempre acreditou nas minhas potencialidades, e se calhar seria por isso que me marcou desta maneira. Por jamais em momento algum ter duvidado de mim. Das brincadeiras que surgiam ao longo da aula, das conversas absurdas quando me ajudava, dos risos calados que nós entendíamos, e do piscar de olho nos intervalos que aconteciam sem ninguém dar por nada. E com o passar dos dias, ia crescendo ali um carinho especial. E hoje ele ainda cresce. Sem que ninguém perceba, sem que ninguém saiba de nada . Mas eu e a professora, sabemos. As vezes que eu espero que entre na sala e nos abrace, de forma a cortar-nos a respiração , de forma a estalar-me as costas e quase fazer-me saltar o coração.. Mas sabe? Obrigada por estar connosco e nunca nos abandonar.

Não a vejo, mas sinto-a. E mais importante que o corpo é a alma. E a nossa permanecerá junta. Seu nome é divino, sua memória é gloriosa, e você é sem dúvida a mulher mais maravilhosa.

PORTania Ribeiro
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