Estou apaixonada, mas não posso!

Só tenho três décadas, ainda não vivi muito, mas já tenho muitas histórias para contar sobre mim. Histórias engraçadas de quando era criança, histórias dramáticas da adolescência e algumas até tórridas da idade adulta. Muitas pessoas me dizem que eu deveria escrever um livro sobre a minha vida, daria quase uma saga e até poderia ser passado para um filme. A protagonista teria que ser meio maluquinha e completamente confusa para se assemelhar à realidade.

Já vivi relações frustradas, relações que me deixaram coisas boas mas infelizmente não funcionaram, relações que nem posso sequer falar nelas e relações que não trouxeram nada de marcante. Mas nunca vivi uma relação onde estivesse realmente apaixonada. Interessava-me pelas pessoas, começava a namorar com elas, e depois puff!!! Tudo desaparecia.

Sempre acreditei que era fria e assumi que não valia a pena tentar apaixonar-me porque nunca iria conseguir fazê-lo, associando sempre o facto de não saber o que era o amor ao facto de ser uma pessoa demasiado racional.

Conhecia o amor pela família, pelos amigos, até pelos animais. Mas nunca o amor romântico, o amor por um homem.

Quando finalmente aceitei esse facto, de que nunca amaria ninguém, de que nunca teria essa capacidade, comecei a procurar alguém que me completasse naquilo que eu mais precisava e com a qual me sentisse bem. Alguém que entendesse as minhas parvoíces e a criança que teima em morar dentro de mim, alguém que entendesse as minhas neuras e as minhas crises de alegria aguda em que tudo à minha volta tem que rir e brincar, e até alguém que me mimasse e me fizesse sentir amada.

Encontrei essa pessoa!

Conhece-mo-nos através do nosso trabalho, começámos a sair, e com o tempo percebi que ele, não sendo o tal, era o tal!

Ao seu lado sinto-me protegida, entendida e mesmo sabendo que ele nao me ama, sei que ele gosta de mim como eu gosto dele. Sem cobranças, sem complicações! Afinal, ele parecia procurar o mesmo que eu. Ele parece aceitar que também não era talhado para o amor, é demasiado racional, tal como eu.

Tudo na minha vida corria como eu pretendia, até que me apaixonei!

Poderia ser por alguém que conheci no trabalho, algum amigo, ou até mesmo por um ex namorado. Poderia ser até por ele, por quem eu estava agora, e que tão bem me faz, e que tão bem me entende. Mas não… Apaixonei-me pelo sobrinho dele!

Quando o vi pela primeira vez senti logo que alguma coisa não estava bem dentro de mim, ficava nervosa ao seu lado e não conseguia pensar claramente. Não conseguia manter um discurso coerente e ficava irritada comigo própria porque não percebia nada do que se estava a passar comigo.

Ao longo de tempo, e visto que eles têm uma relação próxima, fui convivendo cada vez mais com ele, e as coisas foram piorando.

Dou por mim durante a noite a pensar nele, a  imaginar cenários românticos entre nós, até que a minha parte racional me “acorda” e me faz lembrar que é impossível poder haver alguma coisa entre nós, que ele é da família do meu namorado.

Nunca falei disto com ninguém, nem poderia fazê-lo, sinto-me a pior pessoa do mundo só de imaginar em querer estar com ele. Não consigo perceber se sou correspondida ou não, há dias em que penso que sim, e dias em que tenho a certeza que enlouqueci totalmente e que é óbvio que ele nem sequer olha para mim.

Não posso ouvir música porque penso nele, não posso passar muito tempo sozinha porque começo logo a imaginar-nos, não posso sequer encontrá-lo na rua porque tenho medo que esteja escrito na minha testa. E tenho feito tudo para não ir a sítios que sei que ele está presente só para evitar que se note.

Há uns dias contou-me que tinha namorada. Ele conta-me muitas vezes coisas que se passam com ele e diz que não conta a mais ninguém, sinto aquele misto de sentimentos em que fico contente que ele confie em mim e ao mesmo tempo preferia que ele não o fizesse.

Sei que estou metida numa alhada, e não sei o que fazer para sair dela, mas estou apaixonada, finalmente! E se há dias em que sorrio ao pensar que afinal não tenho um calhau no lugar do coração, por outro lado apetece-me gritar e perguntar porque raio sou tão azarada!

Apesar de tudo isto, e mesmo sabendo que não é justo, continuo a namorar e há minha maneira vou sendo feliz. Estou apaixonada sim, mas não posso estar. Não sei o que é pior, se é nunca o sentir, ou senti-lo na pior altura e pela pessoa errada.

PORBaquira
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