Estou a convidar-te para um naufrágio, aceitas?

Esquece tudo. Esquece aquela maldita noite em que devia ter ficado em casa , mas decidi sair e bati de frente contigo. Esquece que algum dia fomos cúmplices. Esquece que em tempos fomos o refúgio um do outro. Esquece. Vamos recomeçar. Ou então vamos só supor que vamos recomeçar. Esquece a ideia de nos conhecermos á noite num bar qualquer. Vamos imaginar que nos conhecemos na estação de comboios . Se preferires , pode ser no parque da cidade , quando andávamos a passear os cães. Não falámos , sorrimos e isso chegou.

Eu tentei. Tentei ir embora , fugir das palavras , das histórias perdidas , de não cair no erro de gostar de ti. Tentei esquecer o teu nome . Tentei acordar e não pensar em ti. Tentei por na cabeça que uma boa amizade é melhor do que um mau relacionamento. Tentei tirar as borboletas da barriga , as formigas das pernas , e acalmar o coração. Tentei não me lembrar das conversas longas . Tentei esquecer-me de que cor eram os teus olhos , ou daquela tua maneira de andar tão desleixada. Mas depois cheguei à triste conclusão que durante esse tempo , tudo isto ainda me fazia pensar mais em ti. E então desisti.

Desisti de tirar-te da cabeça. Desisti de te arrancar à força do coração. Desisti de tentar encontrar erros em mim. Desisti de te culpar , de me culpar , de nos culpar. Mas não encontrei alguém para por a culpa , alguém para ocupar o teu lugar ou alguém me para me fazer ver o que realmente se passou. Havia magia , e a magia dificulta o esquecimento. Podíamos ter sido a história de amor mais linda dos últimos tempos , mas estarei sempre aqui para te lembrar porque não fomos. E se eu pudesse escolher , eu escolhia-te outra vez. Vais a tempo de voltar. Estou a convidar-te para naufragares comigo , aceitas?

PORB
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