Este não é mais um texto de amor…


Não, este não é mais um texto de amor, presentes e corações. Se é disso que estás à procura, podes dar meia volta e regressar àquilo que estavas a fazer antes de dar de caras com este texto. Talvez o título te tenha enganado, suponho que estivesses a pensar que “ela” seria mais uma das mulheres que sofreu por amor ou que ama perdidamente e até é bem-sucedida. Não. Hoje falo-vos de algo um pouco mais complexo do que o amor, se é que isso é possível. Falo-vos da depressão, essa gaja que atormenta homens e mulheres e que nos pode levar a cometer as mais impensáveis loucuras.

Este texto pretende ser um abre olhos. Um abre mentalidades. Um abre horizontes. Um abre vidas.

Compreendo que não estejas contente com tudo aquilo que a vida te proporciona, acho que ninguém está, na verdade. Eu também não estou. Ninguém à tua volta, aliás, tenho a certeza absoluta. O mundo não é um mar de rosas e, se o fosse, iria sempre haver alguém a não gostar de rosas. Não podemos agradar a todos e, quanto mais velhos ficamos, mais difícil fica essa jornada. Temos é que nos agradar a nós próprios, porque somos quem realmente importa. Não querendo ser egoísta ou coisa que se assemelhe, os outros ficarão sempre para segundo plano. Se eu não estiver feliz, como vou fazer os outros felizes? Sendo falsa? Fingindo que a vida me corre às mil maravilhas e gritar ao mundo que sou incomensuravelmente plena? Não, pois não?

Faz por ti, melhora por ti, ri e chora por ti. Deita cá para fora tudo o que te está a impedir de sorrir. Grita se é o que te apetece. Atira pedras ao mar e reclama da sorte que não tens. Vai ao ginásio e deixa o suor libertar as más energias. Compra aquele chocolate que não comes há meses porque achas que estás gorda. Vai devorá-lo para um qualquer espaço verde e fecha os olhos para que sintas a verdadeira natureza. Fá-lo por ti. E faz o que quiseres.

Só não fiques em casa a remoer na ferida ou a escrever uma lista de desejos que nunca irás realizar. Vais tirar esse pessimismo da tua vida e espreitar a beleza que está mesmo do outro lado da tua janela. Experimenta abri-la, se queres começar devagar. Sente a brisa a balançar-te os cabelos ou o nariz a pingar pelo frio que está. Não interessa, é sinal que estás viva. É sinal que ainda fazes falta a alguém e que, sobretudo, tu fazes falta a ti própria. Não há nada melhor do que nos sentirmos vivos, mesmo que o mundo à nossa volta pareça estar a desabar. Mesmo que essas lágrimas que teimam em cair sejam ainda mais persistentes. Mesmo que aches que nada te vai trazer o brilho de volta.

Não acredites nisso. Há coisas más, sim, mas elas também servem para valorizarmos as boas. Para que saibamos aproveitar as pequenas coisas. E conseguimos ser autênticos guerreiros quando algo não corre de feição, tens a minha palavra.

Agora vai, vai fazer por ti. Vai fazer tudo valer a pena. Vai enfrentar o touro pelos cornos e mostrar quem manda. Porque se a vida nos mostrou, da pior maneira, que a guerra ainda agora começou, tu também lhe podes mostrar que estás aqui para combater. E, sobretudo, para ganhar.

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