Estaciona logo!

Estaciona aqui. Eu te ajudo e dou as dicas pra facilitar. Confia, conheço cada centímetro dessa rua. Não te preocupa com o guarda de trânsito, pode deixar que contarei nossa história pra ele e não haverá multa alguma. Ele não vai resistir. Em última instância apelo pro teu sorriso, duvido ele não se render.

Ajusta teu retrovisor e cuidado com o meio-fio. Por via das dúvidas coloca o cinto. Quero garantir o que sinto agora pro resto da vida. Não quero dar chance ao azar logo agora que te encontrei, ou foi você que me encontrou? Não importa, você é a melhor surpresa que a vida poderia me reservar.

Ignora essa placa que diz: proibido estacionar. Coloquei ela ali pra não mais sofrer. Pensei até em interditar a rua. Por medo. Medo de reviver tantas desilusões, tantas amarguras, tantos desamores. Tanto. Ignora e manobra.

Desculpe o calçamento pedregoso e esburacado, você não tem ideia do que essa rua já suportou… Ah, o limite de velocidade é esse mesmo: 40 km/h. Lento pra viver o hoje. E deixa o amanhã pra próxima esquina.

Por tanto tempo eu não soube o que quis, mas agora que você surgiu eu tenho certeza. Dessas certezas que nos abrem os olhos pro sentido da vida. E descobri: É por você que tanto esperei – e não me importo em esperar por mais alguns minutos.

– Desvira um pouco a direção.

Estaciona logo. Essa vaga é tua. Sempre foi.


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