Esquecemos que fomos envenenados ontem

Doenças criadas em nome do dinheiro. Curas escondidas entre tratamentos que duram cinco e dez anos, que cansam e matam almas, criam milionários, os chamados tratamentos suicidas, perfeito para o humano.

O humano é doentio e finito, o parto acontece ao nascer do sol e a morte chega apressadamente com a sua foice às costas quando este se está a pôr. Uma vida tão insignificante enredada em tons de verde.

Um verde antigo substituído por um verde novo, aquele que nos mata, mata a nossa alma a cada dia que passa, aquele que não é para sempre que nos deixa por um par de sapatos novos. É aquele verde que nos torna mecanizados e ignorantes. Esquecemos os nossos valores. Trocamos oxigénio por luxos. Prioridades por acessórios.

Sentados no sofá vemos a guerra como entretenimento, vemos o verde antigo destruído, agradecemos por não sermos nós, e esquecemos este momento com uma nova aquisição. Ele diz-nos “shiuuu”, nós calamos, obedecemos, tornamos-nos obsoletos, com um pensamento enferrujado que afugenta a revolução e cumprimenta a ilusão.

Esquecemos que fomos envenenados ontem pela televisão e hoje carregamos no botão novamente, cabeças ocas, bocas barulhentas, soam e ressoam naquele visor. Esquecemos que a cura é a nossa doença. Cumprimentamos mais uma vez o médico e tomamos a nossa fraqueza. Só num trago.

Agora estamos cegos, a nossa casa está a arder, a cegueira não nos permite ver, sentimos o quente, e eles, sacanas e intrujas, aproveitam a nossa fraqueza e alegam ser o mais dos recentes sistemas de aquecimento, acreditamos, e ainda pagamos pela nossa desgraça. Estamos a cair. Os muros estão a desabar.

Mas estamos sentados no sofá a assistir a guerras e alegorias. Com um sorriso inocente. Com comida envenenada. Roupa bonita. Com a pistola apontada à nossa cabeça, tristemente contentes.


RELACIONADOS




PELA WEB

Loading...