Esqueçe-o mas não te esqueças!

Demora-te mais um pouco, quem sabe se passarem mais uns meses eu já tenha esquecido do mal que me fizeste e possamos marcar um novo primeiro encontro. Talvez se tentares comigo daqui a um tempo, eu volte a cair em ti e a perder-me em nós. Talvez nesse dia que não hoje a minha fraca memória tenha apagado todas as lágrimas que chorei por ti e tenha decidido guardar só o que de bom vi em ti na primeira vez. Sei que não posso perdoar-te mas com o passar do tempo já não tenho a certeza do porquê de não termos dado certo. As más memórias desvanecem-se cada vez que me cruzo com o teu perfume que alguém aleatório decidiu usar. Os arrepios espalham-se por todo o meu corpo impulsionados por um beijo romântico de dois estranhos. Os meus gemidos lembram-me os teus quando me toco a mim mesma por não querer que depois de ti mais alguém me toque. A minha respiração dispara quando me estou a torcer de prazer e a imagem de ti foca-se em mim. Eu esqueço-me amor…

Juro que por momentos esqueço o dia em que me humilhaste pela primeira vez, só porque não percebi que querias fazer amor por detrás daquelas ofensas ordinárias. Desculpa não percebi a tua intenção, ainda estava em choque por encontrar roupas íntimas de mulher no estendal e no teu sofá logo na primeira vez que me deste a conhecer a tua casa. Às vezes esqueço-me de todas as palavras que me cortavam o coração só porque querias a minha atenção. Lembro-me de me sentir culpada por naqueles momentos não conseguir abstrair-me das dezenas de histórias que me tinhas contado das tuas últimas conquistas.

Oh meus Deus, já me tinha esquecido daquela vez que fizeste uma cena de ciúmes e me ofendeste para toda a gente ouvir no meio da rua e uma mulher que tinha assistido a tudo interveio em minha defesa e te disse que sorte era a tua de me teres. Tinha-me esquecido de como foi humilhante, tinha-me esquecido de ter pensado como estava a ser esmagada pela tua agressividade e a minha passividade. Senti-me uma daquelas mulheres que sofrem em silêncio a violência dos seus mais que tudo. Tinha-me esquecido como me senti pequenina, frágil, suja, violentada, e como tinha medo que um dia um grito teu não fosse só um grito e que a imagem de me bateres não fosse só uma imagem.

Por favor amor, não voltes. Tem o bom senso de não o fazeres!

Por favor mulher não te esqueças que sabes quem ele é e o que te fez!

Não por favor, a culpa não é tua e a história não é como tu te lembras!

Não, ele não era quase prefeito, ele simplesmente se achava mais prefeito que tu e tu acreditavas. ” O problema é que te dei demasiada importância e devia ter te tratado como tratei as outras!” Não te iludas rapariga, foste tratada como todas as outras… Lembras-te que estranhavas o porquê de um homem tão prefeito estar sozinho? Não, não era porque estava à espera da mulher certa e não, não eras uma sortuda! Acabaste com ele sim, não foi frente a frente porque não te sentias capaz mas sim foste tu que tiveste a coragem de pôr uma ponto final ao que podia ter sido um terror sem fim. E sim sabes bem porque o fizeste e não é pelo que ele te acusa. Não há “e se eu tivesse suportado mais um bocado talvez ele tivesse mudado” , há ,” e se ele tivesse tido mais tempo para destruir o que tu tens de bom em ti  e se mesmo assim tivesses ficado.”

Cada vez que a tua memória de trair lê o que tu escreveste em desabafo, olha para a porcaria das manchas das lágrimas que secaram na folha enquanto o escrevias mas não te atrevas a esquecer!

Se te esqueceres, voltas a cair no mesmo erro e aí, ai de ti que dessa vez te falte a coragem ou ele te tire o resto da tua dignidade…ou da tua vida.

 


RELACIONADOS




PELA WEB

Loading...