Espaços vazios…

Um relato sobre espaços vazios com que muitas de vocês se identificam de certeza… mas lembrem-se, da mesma forma que se tornaram vazios, a qualquer momento podem voltar a ser preenchidos!

“Se regressasses amor, irias ver como tudo permanece igual. Verias como cada recanto da nossa casa sente a tua falta, como cada flor do jardim anseia pelo teu regresso.

O teu cheiro permanece nos teus livros e na roupa que deixaste, e nos móveis, e no cadeirão da sala forrado de veludo azul, que mandaste vir dum daqueles países longínquos por onde adoravas viajar. No Verão, sentavas‐te nele todas as manhãs a contemplar, lá fora, os primeiros raios de sol da manhã que incidiam sobre o pátio.

A tua presença continua viva neste espaço onde agora me encontro e, chego até por vezes, a ouvir a tua voz sussurrar baixinho, algo que não consigo compreender. E é aqui nesta sala que penso mais uma vez em ti.

Quem me dera, amor, ser uma máquina, não ser de carne e osso, e de sangue, e de sentimentos e de tristezas. Ser uma máquina ou uma peça de um automóvel qualquer. Certamente, a minha contribuição para o mundo neste momento seria maior. Seria mais fácil transpor para o papel tudo o que me atravessa agora o pensamento e que infelizmente, as minhas mãos não têm capacidade de acompanhar.

Quem me dera ser de ferro, de lata, de cartão. Não ter nada cá dentro, não ter nada que me angustiasse, que me fizesse estar agora aqui a escrever. Sou de carne e osso sim, e por isso aqui estou numa tentativa pouco conseguida, é certo, de passar para o papel tudo aquilo que me passa no pensamento. Porque no meu pensamento corre a toda a hora tanta coisa que não consigo expressar nem por gestos, nem por coisa nenhuma, porque o que passa no meu pensamento, e sobretudo no coração, é tanto e tão grande, que nem eu própria tenho capacidade de conseguir distinguir.

Se eu fosse uma máquina, ou uma peça de um automóvel qualquer, não teria conhecido pessoas, nem lugares, nem cores nem cheiros.

Não te teria conhecido a ti amor,

nem te teria perdido.”

PORLaura Ferraz
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