Escolhas Erradas!

Menti. Menti quando te disse que era forte. Quando gritei que podias ir embora, que tal não me iria derrubar, que não iria chorar. Menti para ti e para mim.

Menti quando olhei-te nos olhos e disse que seria muito mais feliz na ausência do teu amor. Não sei até que ponto a mentira me poderia ajudar, mas sou torturada todas as vezes em que lembro os teus olhos lacrimosos e as tuas mãos trémulas a segurarem as minhas.

Menti. Menti e agora estou aqui sem norte. Não sou forte, pelo menos não como acreditei que fosse. Tenho um lado obscuro que não é capaz de perdoar. Sou feita de papel e orgulho.

Enfastiei dessas pessoas recalcadas que insistem nos seus papéis caducados de vítimas. Todos os dias ouço a mesma história. Lá vem elas outra vez. Para ti é fácil, tens quem goste de ti do jeito que és. Tens quem esteja ao teu lado nos momentos maus. Tens uma vida feliz e tudo de mão beijada, comigo não é assim, ninguém me ama, todos me deixam de lado. Não sou feliz e nunca tive nada.

Mas afinal o que pensam elas? Que foi sem luta que cheguei até aqui? Que não choro à noite para me manter sorridente logo pela manha? Que tenho comigo quem eu amo e quem me ama? Sempre? Que sou regida pela razão e todas as minhas escolhas são feitas com a máxima ponderação?

Não sou perfeita, e minto, erro, tropeço. Menti para ti e para mim, e, ao que parece a minha vida é toda uma mentira, já que ninguém consegue ver-me além desta máscara feliz e forte que carrego sempre. Já que todos vêem a minha vida como simples e fácil. Não é. Nunca foi!

À momentos olhavas-me nos olhos e mascarei a minha dor com um sorriso que nem era meu. Acho que já cedi de mais às minhas emoções e agora preciso medir bem as consequências que um coração enganador, iludido e apaixonado pode provocar.

A vida, a minha vida parecia fácil quando permiti que o coração falasse mais alto, e no entanto ao meu redor todos acreditavam que ponderei bem essa decisão, mas não. Nunca pensei. Nunca imaginei que entregar o coração nas mãos de outrem pudesse ser tão arriscado. E entreguei.

E hoje estou a pagar com cada lágrima o preço da minha leviandade. Menti quando disse que era forte e que podia seguir sem ti.

Eu ainda te amo, mas não tenho a certeza se permanecer é a decisão mais acertada. Ou talvez não seja a falta de certezas e somente a minha incapacidade de lutar pelo que quero.

Lá vêem as pessoas novamente resmungar contra a vida – como diria a minha mãe, Deus dá nozes a quem não tem dentes – e que bom seria se eles começassem a valorizar mais aquilo que tem e a rabujar menos com o pouco que lhes falta. Acordaram bem, viram o sol logo pela manha e ainda assim não estão satisfeitas, poderiam pensar que outros gostariam de ter aberto a janela, e gostariam que a brisa suave desta manha de verão lhes beijasse a face, no entanto, não tiveram a felicidade de acordarem sequer.

Vai a África e conta se conseguires a quantidade de pessoas que passa fome, frio, que não tem um lar, que se calhar nem fazem ideia do que seja isso. Tu tens comida na mesa, e ainda desperdiças. Tens roupa, edredões, ar condicionado e tens um lar. O que te falta?

E lá vou gritar-lhes pela milionésima vez a vida não é justa, embora eu saiba no mais recôndito da minha alma, a culpa não é da vida, nem de Deus, nem do sol que hoje se escondeu por entre as nuvens, nem de quem me empurrou e atirou para o chão, eu é que fiz todas as escolhas erradas, eu. Tu e eles.

Nós é que não medimos as palavras, não controlamos as nossas emoções, e porque erramos e somos humanos, imperfeitos, ignorantes e não vemos nada além do nosso próprio umbigo, procuramos alguém para culpar pelas nossas irreflexões.

PORLetícia Brito
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