És o destinatário!

Hoje, és o destinatário.

Escrevo a ti, dono honorário do meu coração!

Sinto-me exausta, exausta de uma luta travada entre emoção e razão.

Por vezes penso que quero tudo, mas na realidade não ambiciono nada.

Desceu sobre mim a cortina da insignificância e no comboio do destino depositei a minha bagagem.

Não sou a menina de olhos inocentes de à um ano atrás! Deixei de chorar por ti, aprendi a trancar as lágrimas num local longínquo. Infelizmente, quando a luminosidade dá lugar ás trevas, elas regressam e aí permito que corram livremente.

Quantas vezes os meus lábios não foram salgados por estes pequenos diamantes?

Dizem que chorar é para fracos, mas se choro é porque te amo! Os meus sorrisos podem até ser falsos, mas as lágrimas derramadas nunca o serão.

Tornei-te parte de mim, eras a vitamina que me fazia continuar.

O vírus do esquecimento arrancou-te de mim deliberadamente, agora apenas as memórias têm lugar na nossa história.

Via em ti um refúgio, eras o porto a quem poderia sempre correr em sinal de tempestade!

Para onde irei agora? O desalento tomou conta de mim e sem a tua mão para me guiar acabarei perdida nas encruzilhadas da vida!

Queria tanto reaver-te! Sentir o toque eletrizante do teu corpo no meu, a suavidade dos teus cabelos e o sabor adocicado dos teus lábios. Desejo as tuas mãos pressionadas nas minhas ancas, o teu aroma nas minhas narinas e o teu sussurro quente no meu pescoço.

Quero sentir os teus dedos traçarem caminhos na minha pele e vê-la arrepiar-se com tal trajeto, quero ouvir mais um “amo-te”.

Estou completamente toldada por ilusões, quando no mais íntimo do meu ser, sei que nunca voltaremos ao que éramos.

Pronuncio o teu nome inúmeras vezes e com ele algo se apodera de mim. Poderia pronunciá-lo durante horas sem perceber o erro que estou a cometer.

Não fomos feitos para estarmos juntos!

Fui feita para amar-te em silêncio!

Esperando que um dia enlaces a tua mão na minha e contemplemos de novo as estrelas enquanto esperamos o autocarro.

Anseio por aqueles dias de Inverno rígido, quando deixava que me envolvesses no teu abraço com o mero pretexto de me aquecer, quando na verdade só queríamos estar perto.

A chuva cai lá fora, vejo-a pelo parapeito da janela e imagino que do outro lado desta cortina aquosa poderás estar a pensar em mim.

Porque, sinceramente, por mais que nos afastemos o meu pensamento acabará sempre por voar para ti!

PORSofia Sousa
Partilhar é cuidar!

PELA WEB

Loading...