És livre, voa bem alto!!!

Oh a doce ironia … levaste-me ao sitio onde tudo começou, o meu jardim preferido, para eu terminar tudo o que outrora fomos, e que nasceu aqui neste preciso sitio. Semeamos ali o nosso amor, voltei la varias vezes sozinha para ver os rebentos saírem do solo e florescerem, pedi-te tanto que voltasses la comigo, mas se lá voltamos duas vezes foi muito … o tempo passou e as flores começaram a secar, as ervas daninhas começavam a ameaçar apoderar-se do espaço que ocupávamos, e eu regressava lá, como se as pudesse alimentar e curar sozinha.

Inevitavelmente também eu adoeci, as visitas passaram a ser sombrias e carregadas de lágrimas, a água a correr, os pássaros a despertar com o orvalho da manha, nada mais parecia sofrer com o nosso enfraquecimento, mas eu estava … estragada por dentro. Perdi a força e deixei de lutar. Foi ai que tu percebeste que comigo em baixo elas iam morrer de vez, não iam mais florescer, nem a primavera e o bom tempo nos podiam salvar. E começaste sozinho a lutar por elas, por nós, para fazer florescer algo que estava próximo da ausência definitiva.

Eventualmente ergui-me e regressei em força, estava mais independente e forte do que nunca, e infelizmente nenhum de nos soube lidar com isso. Lutas-te tanto por manter e melhorar o nosso recanto naquele jardim … mas eu não consegui, não conseguia deixar de ver as flores mortas, as ervas daninhas, a tua ausência … para mim não foi possível recuperar coisas que já estavam perdidas.

Oh doce ironia … voltamos ao inicio para colocar um fim. Enquanto falavas eu vi-a na mesa ao lado o jovem de t-shirt amarela e com a pele deliciosamente suave, a tola envergonhada que não conseguia esconder o quanto a fascinavas … cai em mim, e ali estamos nós na mesa ao lado, choramos porque estamos magoados um com o outro, porque a vida foi injusta connosco e nos um com o outro. “Acabou” foi o que ficou registado em mim. És livre. Observei-te ir embora, não vacilaste por um segundo nem ameaçaste olhar para trás. E admiro a tua coragem porque sei o quanto deve ter custado, agora o que resta sou eu neste jardim onde as folhas continuam a cair quando o vento sopra, a agua continua a correr, as flores continuam a nascer e os pássaros a cantarolar. O vento limpa-me as ultimas lágrimas na face e sei que esta na altura de partir, a musica melancólica que sempre detestaste enche os meus ouvidos enquanto deixo este pequeno paraíso envenenado.

PORMaggie
FONTEDayDreaming
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