Ensaio à Paixão

Um dia perguntaram-me se estava apaixonado.
Não por não te querer responder, mas por não saber diferenciar paixão de gostar e de amar. Fiquei por uma resposta um pouco vaga e evasiva.

Posso dizer que me sinto masoquista frequentemente, pois retiro prazer daquilo que mais faz doer.

O tic-tac cardíaco a toda a hora, que obriga a suspender a respiração.
Expondo-me de tal forma, que a vulnerabilidade chega a ser medular, sujeitando-me às depressões mais excruciantes e dolorosas por não ter o que mais quero.

Sinto-me invejoso por te querer só para mim e não te querer partilhar com ninguém, quando nem sequer és minha.

O desejo é tanto que chega a ser extenuante. Correr por gosto cansa, mas cansa com gáudio.

Esta vastidão de sensações chega a provocar uma ligeira demência, transportando-me para outros tempos.

E num instante o tempo deixa de ter significado, tornando-se subserviente à tua vontade.

Tu és tudo e tudo és tu.
E tu, consegues responder se estou apaixonado, se gosto de ti ou se te amo?

PORRafael Barata
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