Encontros Apaixonantes!

Ele chegou dez minutos depois da hora marcada. (Quem me manda ser pontual com tanta exatidão?)

Eu estava calma. Agia com naturalidade. Era um encontro de amigos, conhecidos, de duas pessoas cultas e jovens. Eu não tinha vestido uma roupa especial – vestira as primeiras peças que encontrara, de manhã, no armário – não tinha arranjado o cabelo, nem tinha colocado perfume nenhum, não me tinha, sequer, maquilhado – nem o meu habitual risco preto na linha de água- estava com os meus sapatos bordôs de plataforma mas podia ter ido de sapatilhas. A minha mala era a mesma que uso no dia-a-dia para transportar livros e cadernos para a faculdade.

Ele chegou. De ténis – não reparei na marca – calças de ganga, camisa aos quadrados em tons de azul, e um casaco bonito (já disse que adoro apreciar roupa de rapaz?).
Sorriu e cumprimentou-me com dois beijos. Depois falou.

Nunca tinha ouvido a voz dele e era tão diferente daquilo que eu imaginava. Muito mais aguda e silenciosa. Ao início, tive dificuldades em levá-lo a sério ao rir-me interiormente.
Depois, entrámos no restaurante e dirigimo-nos à mesa que estava à nossa espera.
A empregada aproximou-se, ele sorriu-lhe e fez o seu pedido. Eu imitei-o.

Começamos a conversar. Um bocadinho sobre nós: os exames da faculdade, as notas, o nosso percurso académico.

A empregada foi trazendo os pedidos, ele sorria-lhe e agradecia sempre – já disse que adoro pessoas educadas, em especial se forem rapazes?

Deixámo-nos levar por conversas ricas, cultura, arte, política, economia, comunicação, cidades, pensamentos…

As nossas opiniões divergiam na maior parte dos temas. Cada um argumentava a favor da sua tese. Ele tinha poder de argumentação. Isso atraía-me. Discordamos imenso e eu gostei dele por discordar de mim, por ser diferente, por mostrar inteligência e respeito pela opinião alheia.

Apaixonei-me pelo seu discurso. Como poderia não o fazer?
No final do almoço, e depois de longos momentos de prazerosos diálogos, ele levantou-se. Pagou e saímos. E, de sorriso aberto, disse que tinha adorado conversar comigo.
Já disse que me apaixono facilmente por sorrisos masculinos?
Agradeci e retribuí o comentário.

Ele foi para a direita, eu para a esquerda.
Não sei em que pensou ele depois de me virar costas. Eu pensei que o mundo precisava de mais homens assim.

Ele encantou-me pela sua personalidade deliciosa, pelo seu cavalheirismo, pela sua simpatia. Percebi que era um rapaz de bons princípios, de boas famílias, uma pessoa de respeito, extremamente querido e encantadoramente inteligente e culto. Talvez com umas purpurinas de timidez – já disse que gosto de rapazes tímidos? – mas possuidor de um discurso com um q.b de eloquência e sabedoria.

É por isso que me apaixono facilmente por pessoas. Não por todas. Não por qualquer uma. Mas por pessoas assim, como ele.

Não sei se vamos voltar a encontrar-nos para conversar sobre temas tão interessantes, mas sei que gostei de o conhecer, foi encantador.

E, repito, são precisos mais homens assim. Homens de verdade, e com valor. Muito valor.


PELA WEB

Loading...