Encontro nas estrelas…

 

Não sei quanto tempo passou, mas dou por mim a passar cada vez mais lentamente pelos dias desde que tu já não fazes parte do meu dia.

Dois meses talvez, e tu partiste da maneira mais injusta do mundo.

Eu ainda saiu de casa à tua procura, na esperança que tenhas saído para comprar um maço de tabaco e um chocolate para mim, como fazias todos os dias ao final da tarde.

Eu estava contigo, e vi-te a partires. Vi como a tua respiração estava a ficar fraca, o teu coração estava a parar, as tuas mãos a tremer e mesmo assim tu dizias quase sem voz: ” filha, o mundo é injusto, mas não lutes pela injustiça, luta pela paz.” e fechaste os olhos, no meio daquele sangue profundamente arrepiante, e num último suspiro  partiste.

As memórias que eu guardo daquele dia são escassas, lembro-me do terror que fomos revestidos num barulho inesperado. Ninguém sabia o que se estava a passar. Todos estávamos a iniciar o nosso dia naquela manhã. Em segundos o pânico instalou-se, os corpos iam-se perdendo no meio daquela multidão aterrorizada.

Hoje, neste dia que recordo aquela manhã, pergunto-me o porquê? E não espero resposta por parte de ninguém, porque não há nada neste mundo ou no outro que justifique a destruição, a perda de vidas inocentes que lutam todos os dias por manter a sua vida, por serem felizes e viver o melhor que conseguem.

Com que direito se apresentam ”pessoas” a planear esquemas em sebentas sujas de sangue para instalar o pânico e o terror, para terminar com a vida de anjos?

Pai, sei que estás no céu a olhar para mim, porque todas as noites que acordo sobressaltada em pesadelos semelhantes àquela manhã, levanto-me e vou para a varanda, e é lá que me encontro contigo e vejo-te a brilhar, sinto o teu beijo na minha face e um carinho suave na minha áspera pele. E levas-me de novo para a cama, aconchegas-me os lençóis, ajustas a almofada e dás-me um beijo de boa noite.

Eu adormeço, enquanto me mexes no cabelo esperando acordar num mundo melhor, onde as pessoas vivem felizes e não aterrorizadas com um cronómetro nas mãos à espera que chegue ao zero e que a guerra comece.

Pray for Brussels