Encontrei-te!!!


Batiam as 3 da tarde e os quiosques da avenida tinham aquele habitual ar animado e confortável. A agitação lisboeta era a mesma de sempre, uma correria de pessoas em todas as direções, os carros e autocarros que sobem estradas e descem estradas. O sol acolhedor e uma brisa suave apresentavam a primavera da melhor forma possível. E depois, estávamos nós. Um desses quiosques, acompanhados de dois cafés e três dedos de conversa…

Penso que nesse momento eu soube aquilo de que hoje já tenho certezas:encontrei-te. Em cinco minutos de conversa, dei por mim envolta em desabafos com um estranho. Só que não eras um estranho. Eras a prova de que o amor existe. Lembro-me como se fosse hoje, como se neste momento ainda estivesse sentada naquela mesa frente a frente contigo, a segurar a minha chávena de café numa mão e o meu cigarro na outra.

Entre risos, sorrisos e horas a fio de conversa, eu saí do quiosque. Fisicamente estava lá, sentada na mesma cadeira. Mas na minha mente, percorri todos os caminhos possíveis para entender o que se passava comigo. E dei por mim a olhar-te nos olhos. Aí percebi… não valia a pena procurar mais. Tinha encontrado o meu ponto de chegada.

Saímos da esplanada e fomos passear, não como dois estranhos, mas como dois amigos de longa data, daqueles a quem se confia até os segredos mais profundos… e não sei se foi do aroma primaveril, da música que soava pelas ruas ou do meu sorriso, mas entre brincadeiras, beijaste-me. Senti as pernas a fraquejar enquanto me envolvias naquele beijo que parecia não acabar.

Consigo ainda ter em mim a sensação daquele momento, tal foi o modo que o guardei na memória. Tal foi o modo que o guardei no coração.

E sem querer, dei sempre por mim a pensar em ti. Numa ou outra relação, os meus atos eram fieis, mas os meus pensamentos, de uma infidelidade imensa, tanta era a saudade de te ver sorrir para mim… a verdade? Fazíamos inveja aos melhores casais, mas no final, nunca soubemos ser um. Não nos julgo. Nem valeria a pena sabendo eu o que sei…

Eu não preciso de títulos, só preciso de ti, de tempo a tempo, para me recordar que o amor existe…

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