Emigrante de coração!

Vou contar-vos uma história, que pena que hoje mais do que nunca seja uma dura realidade!

A vida vai tornando-se complicada, exigindo de nós um maior esforço e sacrifício que por vezes não entendemos e também não queremos aceitar.

Ser emigrante tornou-se algo tão comum que são poucos os que prestam atenção a essa situação, poucos os que entendem, poucos os que apoiam. Para muitas pessoas é uma realidade tão banal que mais ninguém quer saber o que passa o Emigrante e a sua família.

Para muitos ser emigrante é sinónimo de riqueza, é sinónimo de fartura, abundância, e digo-vos uma coisa estão tão errados, profundamente errados.

Não fazem uma pequena ideia de todos os sacrifícios que o Emigrante e a sua família passam.

Aquela rotina que era tão comum que hoje deixa uma saudade imensa e uma dor incalculável.

A dor de uma distância que te vai matando aos poucos e que é suavizada por uma chamada de vídeo ou pelo toque do teu telefone.

A saudade que só faz aumentar mais a cada dia e que te provoca um sofrimento sem medida no teu coração.

As lágrimas que escorrem pelo rosto do teu filho marcadas pela dor da incompreensão.

Os porquês de uma criança que se viu forçada a ver o Pai por detrás de uma tela de computador, esses mesmos porquês que nunca conseguirás responder de uma forma que acalme a sua tristeza.

O constante som das mesmas palavras de saudade que o filho repete, que te acostumaste a ouvir mas que jamais conseguirás aceitar.

E tudo porque sabes que seu Pai estará do outro lado a chorar, sozinho, calado, enfiando a cara no trabalho para que as horas ao passar possam apaziguar essa angústia.

Esse Homem, esse Pai, esse Marido de grande valor que passa essa tormenta de viver num país distante do seu, de viver sem seus amigos de verdade, que abdicou do tempo com sua mulher e seu filho para lhes oferecer uma vida melhor, esse sim Um Homem Especial que merecerá sempre o seu amor!

E o crescimento de seu filho, todas as palavras bonitas que ele vai aprendendo, o seu primeiro dia de escola, a sua primeira festinha quem paga tudo isso que por mais que sua mulher ou o próprio filho lhe contem, por mais fotos que lhe mandem nunca será a mesma coisa.

A sua ida ao cinema com a mulher, o dormir agarradinho, sim aquele dia-a-dia que ninguém conseguirá substituir.

A tristeza carregada de saudade que seus olhos não conseguem esconder, o cansaço de um trabalho sem folgas, sem feriados, o cansaço da solidão.

Quem apoia, quem entende, quem estende a mão?! Poucos, tão poucos…

E aqueles comentários profundamente infelizes e desnecessários dirigidos à mulher e ao filho que apenas os diminuem mas que aumentam a sua dor!

Sim existem pessoas assim, nem sei qual a palavra para elas, talvez pequenas de espírito e pobres de coração. Pessoas que acostumadas a ter tudo se sentem no direito de dar a sua opinião. Custa mas o melhor será deixá-las falar porque só quem passa por esta situação sabe como é duro.

Não ficaram ricos de dinheiro, tiveram foi a oportunidade de uma vida melhor, de garantia de um futuro para seu filho.

Somos ricos sim e sabem de quê, de Amor, de Carinho, de Afecto, de Compreensão e a cada dia essa riqueza aumenta porque a distância e a saudade nos ofereceram a certeza de uma verdadeira relação, essa mesma dor que nos consome, essa mesma distância que nos separa provou que onde prevalece o Amor haverá sempre União.

Enganam-se os que pensam, sem realmente pensar que a vida de emigrante é sempre uma opção, a vida de emigrante é a oportunidade de uma vida melhor, não é “uma” e sim “a” opção!

Enganam-se os que pensam que para a Família é tudo fácil, para a Família é um vazio que se preenche a cada regresso e uma morte lenta a cada partida. Somos emigrantes de coração!!!

PORJoana Brito
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