Ele destrói-me.

Estou farta de dar o braço a torcer. Fartinha de ir com uma ideia e voltar com outra completamente diferente. Ele tem o dom da palavra e eu a maldição de gostar dele. Dá-me a volta sem eu dar conta de tal. E no final, se for preciso, ainda dou por mim com um “Desculpa” a sair-me dos lábios.

Por vezes pondero se serei assim tão fraca de mente ou tão forte de coração, que me interrompe a linha entre a lógica e os sentimentos. Confesso que sim, que grande parte de mim se questiona se o sou.

E entre muitas outras questões, também abraço aquela que me pergunta se eu gosto mais de mim mesma ou dele. Faz-se um silêncio avassalador na minha mente e dou de caras com uma resposta que me assusta de morte.

“Não sei.”

Tremo só de repetir isso na minha cabeça. Um “Não sei” nunca deve ser resposta para uma pergunta de tamanha bagagem. Não posso gostar mais dele do que de mim mesma. Porque amar outro sem existir o amor-próprio, é o precipício da confiança e da autoestima de uma pessoa.

Não posso gostar mais dele do que de mim mesma. Ponto. Ponto final e vira a página e segue em frente. Novo livro, nova história e adiante. Siga.

As voltas que me dá, os joguinhos de palavras que faz, os trocadilhos das suas acções, destroem-me aos poucos. Ele destrói-me no momento em que distorce aquilo que digo, em prol daquilo que ele quer ouvir. E eu troco-me. E ele troca-me. E vivemos assim, numa espiral rumo à minha destruição total.

Há que pôr os pontos nos ii’s e começar a unir aquela linha da lógica e dos sentimentos, pelo meu bem-estar, pela minha sanidade, para o meu próprio bem. Porque eu agora não vivo por mim, mas pelos sentimentos que eu sinto por ele. E tal, não é certo. Não é justo. Não é bom. E de coisas más estou eu farta. E como tal, eu estou farta dele.
Cansada de dizer um “sim” quando é um “não” que quero fazer ouvir.

Cabe-me, agora, tomar as rédeas da minha vida e soltar aquelas que me prendem a ele. Já tentei por diversas vezes agarrar numa tesoura e cortar toda a influência que ele mantém sobre mim. Já tentei tanta vez que já lhes perdi a conta. Porém, há sempre algo que ele me diz ou que me faz, que me demove dessa minha intenção.
Eu juro não entender como tem tanto domínio, tanto voto na matéria, tanta presença sobre mim. Não entendo.  Não percebo mesmo. E fico sem jeito só de pensar em como é possível tremenda coisa.

E quando penso que me estou a conseguir afastar e a dar asas a mim própria. Quando começo a ganhar a noção que me estou a soltar das algemas em que ele me prende, não sei como, ele volta-me a chegar para bem perto e fecha-as novamente. Agarra-me com afinco e usa os meus sentimentos.
Ele usa-me. E eu feita fraca, deixo-me ser usada.

É como eu digo, ele destrói-me aos poucos. Vai-me roubando a essência da vida e faz-me olhar por cima do ombro, com medo, por onde vou passando. Não é justo. Não é bom. Porque isto assim não é viver, é sobreviver entre as gotinhas da chuva, sem força de me ver livre desta nuvem negra que paira sobre mim! Ele é a nuvem que me assombra, que me desconcerta. Mas que, sei lá como, me faz ficar junto dele.

Não entendo nada do que vou passando, pois nada disto tem sentido algum.  Mas de uma coisa eu sei, viver junto de alguém assim é brincar com o fogo. E eu estou farta de me queimar. Por isso, Basta.

É, portanto, altura do ponto final, de virar a página e dizer “Até à vista, meu querido“. E festejar o fim de um capítulo e dar as boas vindas a um completamente novo, centrado apenas em mim.