E tu aí, sem saberes de nada…

Um dia gostava de conseguir dizer-te tudo aquilo que me fazes sentir. Sei que é difícil, talvez até impossível. Não vamos lá com palavras, ainda que todas elas possam contar um pouco da nossa história.

Um dia gostava de ter coragem de te olhar nos olhos e mostrar-te o quão feliz sou em poder ter-te, ainda que não te tenha. O quão feliz sou em acordar ao teu lado, todas as manhãs, ainda que isso não seja verdade. Não sei quanto tempo mais irei continuar a ser feliz contigo sem o ser, mas o facto de não saber, faz-me feliz.

Gosto de chamar as coisas pelos nomes, mas não sei que nome dar a isto. Que nome dar a um misto de sentimentos saltitantes que teimam em se assumir? Não é que tenha pressa, mas começa a ser insuportável abafá-los.

Não sei o que mais posso esperar de ti. Talvez me devesse preocupar mais com o que poderei esperar de mim. Diz quem sabe que saber esperar é uma virtude. E que virtude! Fôssemos todos virtuosos… Tivéssemos todos, à disposição, uma forma concreta de nos mantermos à deriva, sem barco. Uma forma de nos despirmos do medo que nos fizesse enfrentar o touro pelos cornos.

Mas falta-me a coragem.

Quantas vezes quis que soubesses que o teu toque era a minha cura, que o teu sorriso era a minha música e o teu olhar, a minha paz.

E tu aí, sem saberes de nada…